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9.6.07

[HAPPY BIRTHDAY JOHNNY DEPP! HAPPY BIRTHDAY ISABEL MARIA DOS, QUE TENHAMOS UM FELIZ ANIVERSÁRIO]

Bom hoje decidi homenagear o actor Johnny Deep e a mim própria, ambos fazemos hoje anos. Pois é! 9 de Junho!
HAPPY BIRTHDAY JOHNNY DEPP! HAPPY BIRTHDAY ISABEL MARIA DOS, QUE TENHAMOS UM FELIZ ANIVERSÁRIO
Telefonou-me a Aninhas demanhã com ar de gozo a perguntar se ele também vai estar presente no jantar de logo à noite. Respondi-lhe que não. Mas que seria uma festa seria se ele estivesse também connosco à mesa mais logo e em jeito de pirata, ou não...

Isabel Maria Dos

Johnny Deep II ou Johnny Depp (Owensboro, Kentucky, 9 de junho de 1963) é um actor singular. Dizem muitos que é conhecido por sua afinidade em interpretar personagens estranhos... Mas estranhos? Porquê?


"Johnny Cristopher Depp II é filho do engenheiro John e da dona-de-casa Betty Sue.
Mudou-se com a família para a
Flórida quando ainda rapaz. Ficou famoso ao fazer parte do elenco da série de televisão Anjos da Lei, entre 1987 e 1990. O sucesso o tornou um ídolo juvenil e símbolo sexual, o que fez com que o ator sofresse: "Eu queria morrer. Você é apenas um cachorro-quente vendido na televisão. E eu desprezo isso".
Depp estreou como diretor em O Bravo, em
1997. O roteiro foi escrito junto com seu irmão D. P. Depp, e onde além de atuar ao lado do amigo Marlon Brando, Depp faz um índio Cherokee, tribo aliás da qual ele descende.
Depp começou sua carreira graças ao desgaste emocional proporcionado pela escola. Decidiu que queria mesmo era ser
guitarrista, e não passar seus dias na escola. Só depois é que se interessou pela interpretação. O primeiro - e pequeno papel – foi no primeiro filme da série A Hora do Pesadelo.
Na infância, o garoto Johnny construía túneis no jardim de casa e escondia-se lá durante horas. Na escola, não tinha amigos, não era bom no desporto, não tirava notas boas e não tinha namoradas. Os seus pais separaram-se quando ele tinha quinze anos, e Johnny virou um garoto solitário. Aos dezesseis, formou o primeiro grupo, The Kids, que depois mudou de nome para Six Gun. Virou ator e a carreira de guitarrista foi para segundo plano mas, até pouco tempo, era guitarrista da banda P.
Logo que chegou a
Los Angeles, em 1983, casou com a maquiadora Lori Anne Allison. Foi Lori o apresentou a Nicolas Cage, que lhe conseguiu testes para o primeiro filme. Nicolas virou um grande amigo e na lista dos camaradas de Depp, além de Cage, estão Leonardo DiCaprio, Tim Burton, Marlon Brando e Sean Penn. A união com Lori durou apenas dois anos, e não pareceu muito séria. Depois vieram romances com as actrizes Sherilyn Fenn e Jennifer Grey. Com Winona Ryder, com quem noivou, a coisa foi mais concreta, chegando a tatuar "Winona Forever" em seu braço. Depois do fim do namoro, Depp mudou a tatuagem para "Wino Forever" (bêbado de rua para sempre). Depois veio Kate Moss, com quem teve várias idas e voltas e, actualmente, vive com Vanessa Paradis, mãe de seus dois filhos: 'Lily Rose Melody, nascida em maio de 1999, e Jack, nascido em abril de 2002. Eles dividem o tempo morando ora na França, lugar onde admira sua falta de popularidade, ora nos Estados Unidos da América. Depp conheceu Vanessa quando filmava O Último Portal. Ele a viu num bar e pediu que um amigo a convidasse para se juntar a eles. Depp diz que se consideram marido e mulher desde o dia em que começaram a morar juntos, mas nunca colocou no papel seu casamento.
Bonito, talentoso e conturbado, Johnny Depp é um
outsider por excelência, dentro e fora da tela, e não por acaso costuma ser comparado a rebeldes convictos, como James Dean e Marlon Brando. Foi preso por ter quebrado um hotel em Los Angeles, por ter agredido um fotógrafo e por ter ameaçado um grupo de paparazzi quando saía de um restaurante, em Londres. Ele é um ator que faz de tudo para não ser considerado uma estrela de Hollywood e, por causa disso, talvez, recusou papéis importantes, como os que ficaram com Keanu Reeves em Velocidade Máxima, Tom Cruise em Entrevista com o Vampiro, e Brad Pitt em Lendas da Paixão.
Em breve, Depp poderá viver no cinema, um sonho que buscou desde adolescente: ser uma estrela da música. Especula-se que uma grande produtora dos EUA fará um filme sobre a vida do astro
Freddie Mercury (1946 - 1991), e Johnny foi o escolhido para representar o "lorde" Mercury.
Sua estrela na
Calçada da Fama fica localizada em 7020, Hollywood Boulevard.

Curiosidades
[...]
Com treze anos também ganhou sua primeira guitarra (hoje tem uma coleção);
Seu sonho sempre foi ser músico e não ator;
Com a banda The Kids abriu um show para o
Iggy Pop;
É amigo íntimo do guitarrista e compositor da banda britânica
Oasis, Noel Gallagher, um dos encrenqueiros do rock. Johnny Depp toca slide guitar na faixa 7 Fade In-out do Cd Be Here Now do Oasis e, além disso, aparece em clipes de Tom Petty e da banda Lemonheads;
Johnny Depp é um grande ídolo em todo o mundo, e já foi considerado o ator mais amado pelos fãs;
Além dos prêmios que ganhou e que foi indicado, Johnny Depp foi eleito o homem mais sexy de 2003 e, por vários sites em toda a
web, ganha, sem saber, várias eleições de melhor ator, ator mais estiloso, ator mais sexy, ator mais bonito e personalidade do ano;
Ficou em segundo lugar em uma pesquisa para saber quem são os maridos mais fiéis;
Um de seus personagens favoritos foi o protagonista de Edward Mãos-de-Tesoura. Teve seu primeiro encontro com Tim Burton nesse filme, e foi nele também que conheceu e começou a namorar Winona Ryder;
Johnny diz: “Não quero fingir que sou algo a mais do que realmente sou. Não quero dar a imagem de sensível ou difícil, ou cool ou inseguro. Sou bastante antiquado. Não consigo pensar em mim como alguém famoso. Vejo-me como um velhinho sentado num alpendre, olhando para um lago...";
Seu talento tem sido muito bem reconhecido ao longo de sua carreira; prova disso, é seu cachê sempre crescente a cada filme. Por
Piratas do Caribe, o actor recebeu dez milhões de dólares. Dois anos depois, no remake de A Fantástica Fábrica de Chocolate, o cachê chegou a 18 milhões de dólares;
Depp é um colecionador de roupas, quadros de
palhaço e objetos de seus filmes. É doido por livros raros e chegou a pagar quinze mil dólares por um casaco que pertenceu a Jack Kerouac, o escritor beatnik de On the Road;
A única cena de nudez de Depp está na
comédia Férias do Barulho;
Ele tem várias tatuagens, como na canela, com a inscrição "Death is Certain" (a morte é certa) e uma cabeça de índio no braço direito. Winona Forever, a mais célebre dos tempos da paixão por Winona Ryder, virou Wino Forever. Wino é uma
gíria para alcoólatra;
Johnny é um dos sócios do clube Viper Room, em Los Angeles, e do restaurante Man Ray, em Paris, mas diz que não costuma freqüentar os lugares;
Quando filmava
A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, em Londres, foi detido por ameaçar um grupo de paparazzi quando saía de um restaurante. Pagou fiança e foi libertado quatro horas depois;

Filmografia
Johnny Depp
2007 -
Sweeney Todd (anunciado)
2007 -
Piratas do Caribe - No fim do mundo
2006 -
Piratas do Caribe - O baú da morte
2005 -
A noiva cadáver
2005 -
A fantástica fábrica de chocolate
2004 -
Ils se marièret et eurent beaucoup d'enfants
2004 -
O libertino
2004 -
Janela secreta
2004 -
Em busca da Terra do Nunca
2003 -
Piratas do Caribe - A maldição do pérola negra
2003 -
Era uma vez no México
2001 -
Profissão de risco
2001 -
Do inferno
2000 -
Chocolate
2000 -
Porque choram os homens
2000 -
Antes do anoitecer
1999 -
A lenda do cavaleiro sem cabeça
1999 -
Enigma do espaço
1999 -
O último portal
1998 -
Absolutamente Los Angeles
1998 -
Medo e delírio
1997 -
O bravo
1997 -
Donnie Brasco
1995 -
Tempo esgotado
1995 -
Dead man
1995 -
Don Juan deMarco
1994 -
Ed Wood
1993 -
Gilbert Grape - Aprendiz de sonhador
1993 -
Benny & Joon - Corações em conflito
1993 -
Arizona Dream - Um sonho americano
1991 -
A hora do pesadelo 6 - Pesadelo final - A morte de Freddy
1990 -
Edward Mãos-de-Tesoura
1990 -
Cry-baby
1986 -
Platoon
1986 -
Queimando-se lentamente (TV)
1985 -
Férias do barulho
1984 -
A hora do pesadelo

Premiações
Recebeu duas indicações ao Óscar de Melhor Ator, por Piratas do Caribe (2003) e Em Busca da Terra do Nunca (2004).
Recebeu uma indicação ao
Globo de Ouro de Melhor Ator - Drama, por Em Busca da Terra do Nunca (2004).
Recebeu cinco indicações ao Globo de Ouro de Melhor Ator - Comédia / Musical, por Edward Mãos-de-Tesoura (1990), Benny & Joon - Corações em Conflito (1993), Ed Wood (1994
),
Piratas do Caribe (2003) e A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005).
Ganhou em
1999 um César honorário (prémio de cinema francês).
Ganhou o
MTV Movie Awards de Melhor Ator, por Piratas do Caribe (2003).
Recebeu duas indicações ao MTV Movie Awards de Melhor Comediante, por Benny & Joon - Corações em Conflito (1993) e Piratas do Caribe (2003).
Recebeu uma indicação ao
MTV Movie Awards de Melhor Dupla, por Benny & Joon - Corações em Conflito (1993).
Recebeu três prêmios
People Choice em 2006, nas categorias de Melhoro Ator; Melhor Ator de Ação e Melhor Dupla (com Keira Knightley), por Piratas do Caribe - O baú da morte
Projetos relacionados

O
Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Johnny Depp.

Recebeu o prémio de Best Performance nos MTV Movie Awords 2007

Citações
"Se vocês querem fotografar minha família, tragam teleobjetivas. Porque, se eu conseguir colocar minhas mãos em vocês, a coisa vai ficar feia."
- irritado com fotógrafos que rondam sua casa
"Brincar de Barbie é uma ótima atividade para fazer com as crianças. Eu adoro."
-Que gosta de brincar de boneca com as filhas de 7 e 4 anos.

Ligações externas
DEPPlovers - O maior e mais completo site brasileiro sobre Johnny Depp
Fórum DL - Conheça novas fãs e saiba tudo sobre Johnny Depp
Fotos- Galeria de fotos atualizada diariamente com fotos do Johnny Depp
Media - Baixe videos e áudios relacionados a Johnny Depp
Miniature Drunk - Site dedicado ao maravilhoso ator Johnny Depp
You Know - Fã Clube e site dedicado ao Johnny Depp
IMDb - Johnny Depp no site Internet Movie Database "



7.6.07

[SOS LIVE EARTH 07. 07. 07 . THE CONCERTS FOR A CLIMATE IN CRISIS]

Live Earth will use the global reach of music to engage people on a mass scale to combat our climate crisis, bringing together more than 150 of the world's top musicians for 24 hours of music from 9 concerts across all 7 continents.

in http://www.liveearth.org/

SOS A Movement For A Climate In Crisis


[DAVE MATTHEUS BAND] estará no LIVE EARTH

[UMA VERDADE INCONVENIENTE]
se uma rã numa tina de água morna e, a pouco e pouco, vai-se aquecendo o recipiente. Mas a rã, tranquila e sorridente, nem se mexe. A temperatura aumenta, ela arrisca-se a ficar cozida, mas nada. A única solução e arrancá-la de lá, enquanto é tempo. O episódio da rã - um momento de humor em desenho animado do filme "Uma Verdade Inconveniente", que passou em Portugal - é uma metáfora para a forma como o mundo, o cidadão comum e o político comum tendem a reagir ao problema das alterações climáticas. Uma Verdade Inconveniente, feito à imagem do livro com o mesmo título do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore (e cuja tradução portuguesa será publicada em Portugal, pela editora Esfera do Caos), poderá ser o abanão de que a rã precisa para saltar para fora da tina. É o que espera, pelo menos, o próprio Al Gore. Porque, diz ele, o planeta não pode esperar. Há dez ou 15 anos, o assunto das alterações climáticas era quase um ilustre desconhecido e pouca ou nenhuma emoção despertava no cidadão da rua. Talvez um encolher de ombros, se ele já tivesse ouvido falar da questão. Para a comunidade científica, no entanto, com a acumulação de dados preocupantes - o aumento do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, a tendência global para a o aumento da temperatura ou o recuo do gelo nos glaciares - tratava-se já de uma questão no topo da sua agenda de trabalho. Convencer os políticos da realidade que começava a emergir dos estudos era a outra árdua tarefa que os cientistas teriam pela frente. A experiência frustrada de Al Gore, um político pioneiro nesta matéria, que iniciou ainda enquanto congressista campanhas de informação junto dos seus colegas no Congresso, ilustra bem essas dificuldades. A sua mensagem, conta ele, foi ignorada. De então para cá, porém, algo já mudou neste panorama. Desde logo no lado da ciência, que conseguiu estabelecer alguns factos fundamentais, hoje incontestados: as alterações climáticas são uma realidade, já estão a acontecer e tem origem na actividade humana. Do lado da politica, mesmo que insuficiente, há Quioto desde Fevereiro do ano passado. E para o cidadão comum alterações climáticas também já deixou de ser expressão abstracta. As 37 mil vítimas mortais da onda de calor de Julho de 2003, na Europa, ou a sucessão de superfurações que nos últimos três anos fustigaram as Caraíbas, Florida e golfo do México despertaram consciências. Mas será que o problema se arrisca a ser uma moda, para depois voltar tudo à mesma? Ou, pelo contrário, este é o momento certo para a consciencialização global do problema e o filme de Al Gore chega na altura exacta para um salto crítico no ataque ao problema? Por outras palavras, salvar-se-á a rã? Nos EUA, onde o debate político sobre as alterações climáticas começa a emergir e as acções locais e dos Estados para a redução de emissões de CO2 se multiplicam (apesar da posição anti-Quioto da Administração Bush), "Uma Verdade Inconveniente" foi bem recebido e tornou-se "muito popular", disse ao DN Meredith McFadden, da Natural Resources Defense Council, um ONG de cientistas e juristas dos EUA para o ambiente. McFadden prevê que o filme tenha agora um efeito multiplicador nas acções de políticos, cidadãos e empresas nesta matéria. Um dos trunfos da película "é o seu rigor cientifico", sublinha por seu lado Viriato Soromenho Marques, consultor científico para a tradução portuguesa do livro. E outro "é, sem dúvida, a mensagem de esperança e anticatastrofista que ele contém". Como explica Al Gore, as soluções para o problema existem, só e necessário pô-las em prática. E agora que a questão já está em filme, é bem possível que isso faça toda a diferença.


5.6.07

[ANDY WARHOL]















Um dos iniciadores e expoentes da Pop Art.
Nasceu em 6 de Agosto de 1928, em Pittsburgh, nos E.U.A.;
morreu em 22 de Fevereiro de 1987, em Nova Iorque.
Terceiro e último filho de emigrantes da Checoslováquia, de apelido Warhola, o pai, Andrei, veio para os Estados Unidos para evitar ser recrutado pelo exército austro-húngaro, no fim da Primeira Guerra Mundial. Em 1921 a mulher, Julia, juntou-se-lhe, tendo a família ido viver para Pittsburgh. Durante essa época Andy foi atacado por uma doença do sistema nervoso central, que o tornou bastante tímido.

Estudou no liceu de Schenley onde frequentou as aulas de arte, assim como as aulas do Museu Carnegie, instituição sedeada perto do liceu. A família, com base nas poupanças, conseguiu pagar-lhe os estudos universitários no célebre Instituto de Tecnologia Carnegie, a actual Carnegie Melon University, onde teve que se se esforçar bastante, sobretudo na cadeira de Expressão, devido ao seu deficiente conhecimento do inglês, já que a mãe nunca tinha deixado de falar checo em família. Por sua vez, nas aulas artísticas, em vez de ter Andrew criava problemas, ao não aceitar seguir as regras estabelecidas.

De qualquer maneira, devido ao fim da 2.ª Guerra Mundial, foi obrigado a abandonar o Instituto no fim do primeiro ano, para dar lugar aos soldados americanos desmobilizados, a beneficiar de entrada preferencial nas Universidades americanas com a passagem da Lei de Desmobilização (GI Bill). Alguns dos seus professores defenderam a sua permanência na instituição, e pôde por isso frequentar o Curso de Verão, que lhe permitiria reinscrever-se no Outono seguinte. Os seus trabalhos nesse Curso fizeram-no ganhar um prémio do Instituto e a exposição dos seus trabalhos. Acabou a licenciatura com uma menção honrosa em desenho, indo viver para Nova Iorque em Junho de 1949, à procura de emprego como artista comercial.

Contratado pela revista Glamour, começou por desenhar sapatos, mas os primeiros desenhos apresentados tiveram de ser refeitos devido às suas claras sugestões sexuais. Passou a desenhar anúncios - actualmente ainda muito normais na publicidade de moda nos EUA - para revistas como a Vogue e a Harper's Bazaar, assim como capas de livros e cartões de agradecimento.

Em 1952 a sua mãe foi ter com ele a Nova Iorque. Entretanto tinha retirado o «A» final do seu apelido e passado a usar uma peruca branca, bem visível por cima do seu cabelo escuro. Em Junho desse ano realizou a sua primeira exposição na Hugo Gallery: «15 Desenhos baseados nos escritos de Truman Capote». A exposição foi um sucesso não só comercial como artística, que lhe permitiu viajar pela Europa e Ásia em 1956.

Em 1961 realizou a sua primeira obra em série usando as latas da sopa Campbell's como tema, continuando com as garrafas de Coca-Cola e as notas de Dólar, reproduzindo continuamente as suas obras, com diferenças entre as várias séries, tentando tornar a sua arte o mais industrial possível, usando métodos de produção em massa. Estas obras foram expostas, primeiro em Los Angeles, na Ferus Gallery, depois em Nova Iorque, na Stable Gallery. Em 1963 a sua tentativa de «viver como uma máquina» teve uma primeira aproximação com a inauguração do seu estúdio permanente - The Factory - A Fábrica.

Andy Warhol passou então a usar pessoas universalmente conhecidas, em vez de objectos de uso massificado, como fontes do seu trabalho. De Jacqueline Kennedy a Marilyn Monroe, passando por Mao Tse-tung, Che Guevara ou Elvis Presley. A técnica baseava-se em pintar grandes telas com fundos, lábios, sobrancelhas, cabelo, etc. berrantes, transferindo por serigrafia fotografias para a tela. estas obras foram um enorme sucesso, o que já não aconteceu com a sua série Death and Disaster (Morte e Desastre), que consistia em reproduções monocromáticas de desastres de automóvel brutais, assim como de uma cadeira eléctrica.

Em 1963 começou a filmar, realizando filmes experimentais, propositadamente muito simples e bastante aborrecidos, como um dos seus primeiros - Sleep (Dormir) - que se resumia à filmagem durante oito horas seguidas um homem a dormir, ou Empire (Império), que filmou o Empire State Building do nascer ao pôr do sol. Mas os filmes foram tornando-se mais sofisticados, começando a incluir som e argumento. O filme Chelsea Girls, de 1966, que mostra duas fitas lado a lado documentando a vida na Factory, foi o primeiro filme underground a ser apresentado numa sala de cinema comercial.

Para além do cinema Warhol também foi produtor do grupo de rock-and-roll Velvet Underground, que incluía naquela época Sterling Morrison, Maureen Tucker, John Cale e Lou Reed e o cantor alemão Nico. Arranjou-lhes um local para ensaiar, pagou-lhes os instrumentos musicais e deu-lhes alguma da sua aura. Para além dos discos os Velvet e Warhol produziram o espectáculo Exploding Plastic Inevitable, que utilizava a música do grupo e os filmes do artista. Os Velvet, já famosos, entraram definitivamente na história ao darem o nome à revolução checa de 17 de Novembro de 1989 que derrubou pacificamente o regime comunista - a Velvet Revolution.

Em Junho de 1968 Valerie Solanas, uma frequentadora da Factory, criadora solitária da SCUM (Society for Cutting Up Men), entrou no estúdio de Warhol e alvejou-o quase mortalmente. O pintor demorou mais de dois meses a recuperar. Quando saiu do hospital tinha perdido muita da sua popularidade junto da comunicação social. Dedicou-se então a criar a revista Interview, e a apoiar jovens artistas em início de carreira, para além de escrever livros - a sua autobiografia The Philosophy of Andy Warhol (From A to B and Back Again) foi publicada em 1975 -, e apresentar dois programas em canais de televisão por cabo. A sua pintura voltou-se para o abstraccionismo e o expressionismo, criando a série de pinturas - Oxidation (Oxidação) - que tinham como característica principal o terem recebido previamente urina sua.

Em 1987 foi operado à vesícula. A operação correu bem mas Andy Warhol morreu no dia seguinte. Era célebre há 35 anos. De facto, a sua conhecida frase: «In the future everyone will be famous for fifteen minutes» (No futuro, toda a gente será célebre durante quinze minutos), só se aplicará no futuro, quando a produção cultural for totalmente massificada e em que a arte será distribuída por meios de produção de massa. in http://www.arqnet.pt/portal/biografias/warhol.html



4.6.07

[MARCEL DUCHAMP]


Pintor e escultor francês. Produziu obras de tendência impressionista, expressionista e cubista.Também foi entusiasta de xadrez, chegando a representar a França nas Olimpíadas de Xadrez; Também foi dirigente das FIDE. Ver biografia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcel_duchamp
Ver biografia de xadrezista e algumas partidas em http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=36967
Enviado pelo amigo Professor João Maduro. Obrigada!

Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, 28 de julho de 1887 — Neuilly-sur-Seine, 2 de outubro de 1968) foi um pintor e escultor francês.
É um dos precursores da
arte conceptual e introduziu a idéia de ready made como objeto de arte. Irmão de Jacques Villon e Raymond Duchamp-Villon, estes também artistas que gozaram de reputação no cenário artístico europeu, Marcel Duchamp começou sua carreira como artista criando pinturas de inspiração impressionista, expressionista e cubista. Dessa fase, destaca-se o quadro Nu descendo a escada, que apresenta uma sobreposição de figuras de aspecto vagamente humano numa linha descendente, da esquerda para a direita, sugerindo a idéia de um movimento contínuo. Esse quadro, na época de sua gênese, foi mal recebido pelos partidários do Cubismo, que o julgaram profundamente irônico para com a proposta artística por eles pretendida. Essa fase lhe rendeu, ainda, o quadro Rei e rainha rodeados por rápidos nus, que sugere um rápido movimento através de duas figuras humanas, e A noiva, que apresenta formas geométricas bastante delineadas e sobrepostas, insinuando uma figura de proporções humanas. Este último foi bastante utilizado no seu projeto mais ambicioso, de que trataremos a seguir.
Sua carreira como pintor estendeu-se por mais alguns anos, tendo como produto quadros de inegável valor para a formação da pintura abstrata. É, no entanto, como escultor que Duchamp vai atingir grande fama. Tendo se mudado para
Nova York e largado a Europa numa espécie de estagnação criativa, Duchamp encontra na América um solo fértil para sua arte dadaísta. Decorrente dessa fase, e em virtude de seus estudos sobre perspectiva e movimento, nasce o projeto para a obra mais complexa do artista: A noiva despida pelos seus celibatários, mesmo (ou O grande vidro). Trata-se de duas lâminas de vidro, uma sobre a outra, onde se vê uma figura abstrata na parte de cima, que seria a noiva, inspirada no quadro acima mencionado, e, na parte de baixo, se percebe uma porção de outras figuras (feitas de cabides, tecido e outros materiais), dispostas em círculo, ao lado de uma engrenagem (retirada de um moinho de café). Essa obra consumiu anos inteiros de dedicação de Duchamp, e só veio a público muito depois do início de sua construção, intercalada, portanto, por uma série de obras. Não se tem um consenso acerca do que representa essa obra, mas diversas opiniões conflitantes, com base em psicologismos e biografismos, renderam e ainda rendem bastante discussão.
Além disso, Duchamp é o responsável pelo conceito de ready made, a saber, o trasporte de um elemento da vida cotidiana, a priori não reconhecido como artístico, para o campo das artes. A princípio como uma brincadeira entre seus amigos, entre os quais
Francis Picabia e Henry Roché, Duchamp passou a incorporar material de uso comum às suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte. A Fonte, obra que fez repercutir o nome de Duchamp ao redor do mundo - especialmente depois de sua morte -, está baseada nesse conceito de ready made: pensada inicialmente por Duchamp (que, para esconder o seu nome, enviou-a com a assinatura "R. Mutt", que se lê ao lado da peça) para figurar entre as obras a serem julgadas para um concurso de arte promovido nos Estados Unidos, a escultura foi rejeitada pelo júri, uma vez que, na avaliação deste, não havia nela nenhum sinal de labor artístico. Com efeito, trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado, comprado numa loja de construção e assim mesmo enviado ao júri; entretanto, a despeito do gesto iconoclasta de Duchamp, há quem veja nas formas do urinol uma semelhança com as formas femininas, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina.
Os ready made passaram, então, a ser o elemento de destaque da produção de Duchamp. Entre os mais famosos, podemos citar a obra
L.H.O.O.Q. (sigla que, lida em francês, assemelha-se ao som da frase "Elle a chaud au cul", que, traduzida para o português, significa "Ela tem fogo no rabo"), que nada mais é do que uma reprodução do célebre quadro de Leonardo Da Vinci, Mona Lisa, acrescida de bigodes e barba.
Além disso, sua obra está vinculada, de algum modo, ao seu modo de vida boêmio, propiciado pelo convívio com pessoas influentes e poderosas no meio artístico norte-americano. Num de seus acessos de iconoclastia e irresponsabilidade, Duchamp lançou na cena artística nova-iorquina a figura de Madame
Rose Sélavy (cujo sobrenome se assemelha à expressão francesa "C'est la vie", ou seja, "É a vida", em português), uma artista dotada de uma ironia profunda, bem como de uma paixão por trocadilhos (evidentemente, aspectos oriundos da personalidade do próprio Duchamp). Ela também assinou uma parte dos ready made, podendo ela mesma ser considerada um ready made duchampiano, na medida em que era uma espécie de transfiguração artística de uma personalidade real do artista. Há, inclusive, uma foto em que Duchamp aparece travestido de Rose Sélavy.
Duchamp era, ainda, entusiasta do xadrez, tendo se filiado a vários clubes e participado com relativo êxito de torneios mundo afora. Pode-se dizer que uma parte da sua vida foi consagrada ao estudo desse jogo. Além disso, dedicou-se ao estudo da "quarta dimensão", o que, de alguma forma, orientou a sua criatividade artística para problemas óticos. Os
Rotoreliefs, discos coloridos que, quando girados com extrema rapidez, produziam efeitos óticos, é mais uma de suas tentativas de se aproximar das pesquisas que fazia. O estudo do olhar sobre a arte interessou muito a Duchamp, que se opunha àquilo que ele próprio dizia ser a "arte retiniana", ou seja, uma arte que agrada à vista. Pode-se, de certo modo, compreender toda a arte de Duchamp como um esforço para se afastar da "arte retiniana" e passar para uma arte mais "cerebral", em que se ressaltam os aspectos mais intelectuais do labor artístico. Dessa forma, os ready made, inclusive, são uma tentativa de escapar da "arte retiniana", uma vez que confrontam o público, oferecendo-lhes algo que ele próprio já viu algures, forçando-o a pensar e refletir sobre a questão da arte enquanto linguagem.
Vale a pena ressaltar que a obra de Duchamp deixou um legado importante para as experimentações artísticas subseqüentes, tais como o
Dadaísmo, o Surrealismo, o Expressionismo Abstrato, a Arte Conceitual, entre outros. Muitos dos artistas identificados com essas tendências prestaram tributo a Duchamp, quando não o conheceram de fato, tendo com ele um contato direto (ou, às vezes, íntimo), o que influenciou as suas respectivas obras. John Cage, por exemplo, trocou idéias com Duchamp, e André Breton, pai do Surrealismo, por várias vezes tentou cooptar Duchamp para a causa do movimento surrealista; Tristan Tzara, um dos responsáveis pelo Dadaísmo, também reconheceu na obra de Duchamp, apesar do pouco contato da arte norte-americana com a arte européia, uma espécie de precursora.

3.6.07

[SERRALVES EM FESTA... E A FESTA NO METRO]

Serralves em Festa ... e a Festa no Metro.
É já este fim-de-semana. 40 horas consecutivas de expressão artística contemporânea no «Serralves em Festa». Entre as 08h de Sábado (2 de Junho) e as 24h de Domingo (3 de Junho) o Parque, o Museu, o Auditório e a Casa de Serralves recebem mais de 70 actividades - exposições, música, dança, performance, cinema, teatro, marionetas, circo, oficinas em família, visitas orientadas e workshops. Na noite de Sábado para Domingo, os DJ’s dão música no prado de Serralves até de madrugada.
O Metro do Porto e a STCP acordaram uma operação especial «Serralves em Festa», garantindo o melhor e mais prático acesso ao Festival. Assim, a Estação Casa da Música do Metro do Porto faz interface com uma linha da STCP que faz o vaivém com Serralves. Ao longo do fim-de-semana, a Estação Casa da Música assegura frequências de 5 minutos (das 6H00 às 1H00). Já na madrugada de sábado, 3 de Julho, o serviço da Linha Azul (A) prolonga-se até às 2H00, no sentido Senhor de Matosinhos/Estádio do Dragão, com frequências de passagem de 15 minutos.
Em antecipação às 40 horas do Festival propriamente dito, o Serralves em Festa mobiliza-se para a animação da «baixa» do Porto – no dia 1 de Julho, entre as 17H00 e as 22H00 e no dia 2, entre as 10H00 e as 14H00. Nestes dois períodos, a Estação da Trindade será palco para a actuação dos músicos Germán Diaz e Diego Martín.
Enviado pelo amigo JB. Bibó Poarto carago!

[TINTIN]

Tintim é o mais célebre herói de banda desenhada e nasceu a 10 de Janeiro de 1929 na revista Petit Vingtiéme, a preto e branco, onde se manteve até 1940, data em que se mudou para outro jornal, o Le Soir, até 1944.
A partir de 1942 todos os livros do Tintim passaram a ser publicados a cores e a maioria das antigas histórias a preto e branco, foram coloridas e reduzidas para se adaptarem ao novo formato.
Em 1946 Tintim já aparece na sua própria revista, e a partir daí todas as histórias recebem tratamento colorido.Seja o gosto pela aventura, o espiríto distraído do Prof. Girassol ou o bom coração do fiel capitão Haddock, As Aventuras de Tintim despertam algo em todos os leitores dos 7 aos 77... mais de vinte anos após a morte do seu criador, Hergé, as aventuras do pequeno repórter de poupa levantada continuam a cativar e fascinar milhões de leitores pelo mundo inteiro. Traduzido em 50 línguas e com mais de 200 milhões (milhões!) de exemplares vendidos, As Aventuras de Tintim estão hoje reconhecidas como revolucionárias no desenvolvimento da banda desenhada.
A documentação profunda, o perfecionismo, o impulso aventureiro do jovem herói e a clareza dos desenhos são características principais do trabalho de Hergé.

31.5.07

[DIA MUNDIAL DA CRIANÇA, PARA LEMBRAR O ESQUECIMENTO DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS]

Convenção dos Direitos da Criança

Como já deves ter ouvido falar, as Nações Unidas aprovaram uma lei chamada "Convenção sobre os Direitos da Criança". Essa lei tem 54 artigos que explicam cada um dos teus direitos.
Os artigos que não referimos aqui dizem, sobretudo, respeito à forma como os adultos e os governos devem trabalhar em conjunto para que todas as crianças gozem dos seus direitos.

ARTIGO 1º Todas as pessoas com menos de 18 anos têm todos os seus direitos escritos nesta convenção.
ARTIGO 2º Tens todos esses direitos seja qual for a tua raça, sexo, língua ou religião. Não importa o país onde nasceste, se tens alguma deficiência, se és rico ou pobre.
ARTIGO 3º Quando um adulto tem qualquer laço familiar ou responsabilidade sobre uma criança, deverá fazer o que for melhor para ela.
ARTIGO 6º Toda a gente deve reconhecer que tens direito à vida.
ARTIGO 7º Tens direito a um nome e a ser registado, quer dizer, o teu nome, o dos teus pais e a data em que nasceste devem ser registados. Tens direito a uma nacionalidade e o direito de conheceres e seres educado pelos teus pais.
ARTIGO 8º Deves manter a tua identidade própria, ou seja, não te podem mudar o nome, a nacionalidade e as tuas relações com a família e menos que seja melhor para ti. Mesmo assim, deves poder manter as tuas próprias ideias.
ARTIGO 9º Não deves ser separado dos teus pais, excepto se for para teu próprio bem, como por exemplo, no caso dos teus pais te maltratarem ou não cuidarem de ti. Se decidirem separar-se, tens de ficar a viver com um deles, mas tens o direito de contactar facilmente com os dois.
ARTIGO 10º Se os teus pais viverem em países diferentes, tens direito a regressar e viver junto deles.
ARTIGO 11º Não deves ser raptado mas, se tal acontecer, o governo deve fazer tudo o que for possível para te libertar.
ARTIGO 12º Quando os adultos tomam qualquer decisão que possa afectar a tua vida, tens o direito a dar a tua opinião e os adultos devem ouvir seriamente o que tens a dizer.
ARTIGO 13º Tens direito a descobrir coisas e dizer o que pensas através da fala, da escrita, da expressão artística, etc., excepto se, quando o fizeres, estiveres a interferir com o direito dos outros.
ARTIGO 14º Tens direito à liberdade de pensamento e a praticar a religião que quiseres. Os teus pais devem ajudar-te a compreender o que está certo e o que está errado.
ARTIGO 15º Tens direito a reunir-te com outras pessoas e a criar grupos e associações, desde que não violes os direitos dos outros.
ARTIGO 16º Tens direito à privacidade. Podes ter coisas como, por exemplo, um diário que mais ninguém tem licença para o ler.
ARTIGO 17º Tens direito a ser informado sobre o que se passa no mundo através da rádio, dos jornais, da televisão, dos livros, etc. Os adultos devem ter a preocupação de que compreendes a informação que recebes.
ARTIGO 18º Os teus pais devem educar-te, procurando fazer o que é melhor para ti.
ARTIGO 19º Ninguém deve exercer sobre ti qualquer espécie de maus tratos. Os adultos devem proteger-te contra abusos, violência e negligência. Mesmo os teus pais não têm o direito de te maltratar.
ARTIGO 20º Se não tiveres pais, ou se não for seguro que vivas com eles, tens direito a protecção e ajuda especiais.
ARTIGO 21º Caso tenhas de ser adoptado, os adultos devem procurar ter o máximo de garantias de que tudo é feito da melhor maneira para ti.
ARTIGO 22º Se fores refugiado (se tiveres de abandonar os teus pais por razões de segurança), tens direito a protecção e ajuda especiais.
ARTIGO 23º No caso de seres deficiente, tens direito a cuidados e educação especiais, que te ajudem a crescer do mesmo modo que as outras crianças.
ARTIGO 24º Tens direito à saúde. Quer dizer que, se estiveres doente, deves ter acesso a cuidados médicos e medicamentos. Os adultos devem fazer tudo para evitar que as crianças adoeçam, dando-lhes uma alimentação conveniente e cuidando bem delas.
ARTIGO 27º Tens direito a um nível de vida digno. Quer dizer que os teus pais devem procurar que não te falte comida, roupa, casa, etc. Se os pais não tiverem meios suficientes para estas despesas, o governo deve ajudar.
ARTIGO 28º Tens direito à educação. O ensino básico deve ser gratuito e não deves deixar de ir à escola. Também deves ter possibilidade de frequentar o ensino secundário.
ARTIGO 29º A educação tem como objectivo desenvolver a tua personalidade, talentos e aptidões mentais e físicas. A educação deve, também, preparar-te para seres um cidadão informado, autónomo, responsável, tolerante e respeitador dos direitos dos outros.
ARTIGO 30º Se pertenceres a uma minoria, tens o direito de viver de acordo com a tua cultura, praticar a tua religião e falar a tua própria língua.
ARTIGO 31º Tens o direito a brincar.
ARTIGO 32º Tens direito a protecção contra a exploração económica, ou seja, não deves trabalhar em condições ou locais que ponham em risco a tua saúde ou a tua educação. A lei portuguesa diz que nenhuma criança com menos de 16 anos deve estar empregada.
ARTIGO 33º Tens direito a ser protegido contra o consumo e tráfico de droga.
ARTIGO 34º Tens o direito a ser protegido contra abusos sexuais. Quer dizer que ninguém pode fazer nada contra o teu corpo como, por exemplo, tocar em ti, fotografar-te contra a tua vontade ou obrigar-te a dizer ou a fazer coisas que não queres.
ARTIGO 35º Ninguém te pode raptar ou vender.
ARTIGO 37º Não deverás ser preso, excepto como medida de último recurso e, nesse caso, tens direito a cuidados próprios para a tua idade e visitas regulares da tua família.
ARTIGO 38º Tens direito a protecção em situação de guerra.
ARTIGO 39º Uma criança vítima de maus tratos ou negligência, numa guerra ou em qualquer outra circunstância, tem direito a protecção e cuidados especiais.
ARTIGO 40º Se fores acusado de ter cometido algum crime, tens direito a defender-te. No tribunal, a polícia, os advogados e os juizes devem tratar-te com respeito e procurar que compreendas o que se está a passar contigo.
ARTIGO 42ºTodos os adultos e crianças devem conhecer esta Convenção. Tens direito a compreender os teus direitos e os adultos também.

Assim, pode-se dizer que o Dia Mundial da Criança serve para lembrar um grande problema mundial: o esquecimento dos direitos das crianças.

[1 DE JUNHO, DIA MUNDIAL DA CRIANÇA]

Após a 2ª Grande Guerra Mundial, as crianças de todo o Mundo enfrentavam grandes dificuldades, a alimentação era deficiente, os cuidados médicos eram escassos. Os pais não tinham dinheiro, viviam com muitas dificuldades, retiravam os filhos da Escola e punham-nos a trabalhar de sol a sol. Mais de metade das crianças Europeias não sabia ler nem escrever.
Em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mulheres, propôs às Nações Unidas que se comemorasse um dia dedicado a todas as crianças do Mundo.
Os Estados Membros das Nações Unidas, - ONU - reconhecendo que as crianças, independentemente da raça, cor, sexo, religião e origem nacional ou social, necessitam de cuidados e atenções especiais, precisam de ser compreendidas, preparadas e educadas de modo a terem possibilidades de usufruir de um futuro condigno e risonho, propuseram o Dia 1 de Junho, como Dia Mundial da Criança.
Nunca é demais lembrar, até porque poucas vezes isso tem sido feito, quais os direitos que assistem especificamente às crianças, e que estão consagrados na
Convenção sobre os Direitos da Criança que foi elaborada em 1989 pelas Nações Unidas, que tiveram em consideração, entre outras coisas, o indicado na Declaração dos Direitos da Criança, adoptada em 20 de Novembro de 1959 pela Assembleia Geral desta Organização, que dizia que “a criança, por motivo da sua falta de maturidade física e intelectual, tem necessidade de uma protecção e cuidados especiais...”.
A ONU reconheceu também que “em todos os países do mundo há crianças que vivem em condições particularmente difíceis e a quem importa assegurar uma atenção especial, tendo devidamente em conta a importância das tradições e valores culturais de cada povo para a protecção e o desenvolvimento harmonioso da criança e a importância da cooperação internacional para a melhoria das condições de vida das crianças em todos os países, em particular nos países em desenvolvimento.”

[PERIGOSAS DE TANTO LEREM...]

Perigosas, elas, as mulheres, porque lêem? Perigosas porquê? Porquê elas e não eles? O livro Mulheres Que Lêem São Perigosas (Quetzal/Círculo de Leitores) lança o debate. Autor: Stefan Bollmann, doutorado com uma tese sobre Thomas Mann. Prefácio: Elke Heidenreich, escritora e autora do programa televisivo Lesen!. Lançamento: amanhã, às 18.30, na Livraria Bertrand Picoas Plaza (Rua Tomás Ribeiro, 65) na mão de quatro mulheres apresentadas pela editora como "perigosas": Helena Vasconcelos, Maria João Seixas, Maria Teresa Horta e Paula Moura Pinheiro.O álbum reúne imagens de mulheres que lêem, vestidas ou nuas, meninas, jovens ou sem idade, sentadas, deitadas ou recostadas, absorvidas, apaixonadas ou seduzidas pelo poder mágico dos livros que acumulam, como escreveu Marguerite Yourcenar, "reservas contra os invernos do espírito", ou do talvez corpo, quando a vida se torna semelhante ao deserto e as palavras trazem consigo a presunção sublime da suspensão, ainda que por instantes, do peso entediante dos dias."Ler não é, afinal, diferente de existir", tal como diz Rui Magalhães em Infinito Singular/O não literário: "Podemos ler um texto, podemos ler um corpo: podemos viver um texto ou um corpo. Ler um corpo: recuperar, na visão incerta, a plenitude da fragmentação e da pluralidade."É essa dimensão da inseparabilidade entre vida e arte (ideia passível de aplicar-se também à escrita) que encontramos num esboço, de nenhuma forma exaustivo e nem sempre preciso, em Mulheres Que Lêem São Perigosas. Que ressalta, afinal, deste livro em que nos aproximamos da profunda intimidade da leitura, sem qualquer sentido de ameaça, como quem descobre o mistério de mundos outros? A revelação de que a beleza dir-se-ia representativa do triunfo da arte enquanto acto de paixão. Façamos então uma viagem por dentro do livro, uma viagem provocatória pela mão da feminista Elke Heidenreich, autora que tem o atrevimento de dizer: "Com o passar dos anos, os livros tornam- -se por vezes mais importantes do que os homens." Ou saltemos paras as páginas do ensaio, mais reflexivas portanto, e das legendas de Stefan Bollman, que considera a leitura intensiva "um desafio à liberdade criativa".Pinturas, desenhos, fotografias, imagens recolhidas ao longo do tempo, do séc. XIII ao séc. XXI, reflectem a relação entre as mulheres e os livros. Observe-se a Anunciação, de Simone Martini (1333) em que Maria - dominando a arte comum entre as mulheres cultas na Idade Média, a da leitura em silêncio - exprime desagrado, aconchegando o manto ao peito, quando o anjo, inoportuno, interrompe a sua leitura. Ou veja-se, mais tarde, no séc. XVII, apaziguada, a criada de costas viradas para o leitor, no quadro de Pieter Janssens Elinga. Libertando--se das incómodas socas, suas ou da dona da casa, e do peso ordenado das tarefas domésticas, entrega-se ao prazer do livro que a luz indirecta torna iluminante, enquanto se esquece, alheada, da fruteira, posta de parte em cima da cadeira.Mais adiante, Katie, cabelo lon- go e encrespado, devora, absorta e com paixão, a lenda sangrenta de S. Jorge, que luta com o dragão e o mata, tema impróprio no século XIX para raparigas. Sir Edward Burne Jones começou a pintar este quadro tinha a menina do desacer- to quatro anos e, quando o termi-nou, já havia completado os oito.Não falta, por outro lado, nestas páginas, a mulher, retratada por Ramón Casas Carbó, que cai exausta, no sofá, vinda do baile, de livro na mão, como se fosse possível fazer prolongar, naquele breve momento, o prazer de um corpo ainda em movimento de outros saberes/sabores da vida. A fotografia de Eve Arnold, exibindo Marilyn, ao tempo da rodagem de Os Inadaptados, lendo o Ulisses, revela a mulher na sua total fragilidade. Quando se encontraram, ela e a fotógrafa, a actriz já estaria a ler a obra de James Joyce. E assim foi captada pela máquina num flash luminoso que nega o estereótipo. Há, no entanto, que entender este belo volume à luz da breve história da leitura que nos é oferecida por Stefan Bollman. Lance-se, pois, um olhar rápido sobre a história da cultura e verifique-se o silêncio a que a mulher foi votada ao longo dos tempos, vedando-se-lhe o direito à instrução e ao trabalho, sem esquecer o texto áspero e divertido de Elke Heidenreich: "Quem lê fica a reflectir, quem reflecte forma uma opinião, quem tem uma opinião pode dissidir, quem se torna dissidente passa a ser inimigo." Só assim pode integrar, nesta obra, a designação "leitura perigosa", sobretudo a partir da evolução histórica, social, cultural.Bollman explica, por outro lado, que as mulheres que aprendiam a ler (referindo-se aos finais do século XVII) eram, na época, consideradas perigosas: "É que a mulher que lê adquire um espaço a que só ela e mais ninguém tem acesso", o que a leva a desenvolver um estado independente de auto-estima. Além disso, "cria a sua própria visão do mundo, não necessariamente correspondente à transmitida pela tradição, nem à dos homens". Claro que nada disto significa ainda a sua libertação da tutela patriarcal, "mas abre a porta que conduz à liberdade", comenta.Já no século XVIII, Mary Wollstonecraft, mãe de Mary Shelley (autora de Frankenstein) escrevia: "Não só a virtude, mas também o conhecimento devem ser iguais em natureza, e mesmo em grau." Nesse sentido, pode dizer-se que a mulher, usando a expressão de Ana Hatherly, foi tomando a palavra ao longo dos tempos. Usando os livros como aliados.Com eles, as mulheres deste livro amam, vivem vidas outras, a ficção e o sonho, o perigo e a paixão. Eles são o vício e a virtude, a sageza e o refúgio, caixa de ressonância da interioridade das suas fiéis leitoras.

29.5.07

[TERCEIRO PROJECTO DE SIZA NÃO ABATE ÁRVORES]

Depois de cinco anos de trabalho, muitas versões do mesmo projecto arquitectónico, guerras entre os dois políticos mais importantes de Madrid, e uma baronesa, em protesto, acorrentada a uma árvore, a equipa de Álvaro Siza parece ter conseguido, por fim, um consenso para o novo eixo Prado-Recoletos, uma das mais importantes artérias da capital espanhola. O arquitecto português tinha ganho um concurso público, em 2002, com a ideia de garantir mais espaço na avenida para os peões. Mas, no seu projecto, ainda constavam cinco faixas de rodagem e a alegada necessidade de cortar 900 árvores. Nem as associações ecologistas nem a baronesa Carmen Thyssen, vice-presidente da Fundação Thyssen (que gere o importante museu com o mesmo nome, no Passeio do Prado), concordaram com as propostas de Siza. Nas diferentes versões do projecto foram-se diminuindo as faixas para carros e o número de árvores a amputar. Os representantes do município disseram que se tratava apenas de 29 árvores e que dez já estavam doentes, acrescentando ainda que, quando pediram ideias e sugestões, os ecologistas e a baronesa tinham ficado calados. O caso ganhou ainda mais mediatismo porque representava uma luta entre o alcalde da capital, Alberto Gallardón, e a presidente da comunidade autonómica de Madrid, Esperanza Aguirre. Os dois políticos, que pertencem ao mesmo partido (PP), acabam de ganhar as eleições de domingo com maioria absoluta, repetindo-se nos cargos que já ocupavam. Mas a batalha pelo protagonismo político em Madrid - e, no futuro, muito possivelmente pela liderança do partido - encontrou na remodelação do Passeio do Prado mais um motivo de braço-de-ferro. Gallardón defendia o projecto de Siza. Esperanza, que prometeu à baronesa, caso ganhasse as eleições, um novo museu para a sua enorme e valiosa colecção de arte, garantiu que nem uma árvore seria cortada. Os representantes da equipa de Gallardón explicaram que a única proposta da baronesa, que surgiu quando o projecto já estava finalizado, consistia em construir um túnel, reservando o Passio do Prado exclusivamente para os peões. Juan Hernández de León, o arquitecto que assina o projecto com Álvaro Siza, respondeu com ironia: "É falso que se vá construir uma auto-estrada diante do museu. Mas também não precisamos de mais túneis em Madrid." Referia-se a uma gigantesca obra, a M30. Trata-se de uma circular da cidade, com um túnel de vários quilómetros, que desvia o trânsito do centro, possibilitando assim a esperada redução de faixas no Passeio do Prado, mas cuja construção perturbou, até ao desespero, a qualidade de vida dos condutores madrilenos.Percebendo que a sua (considerável) influência política não chegava, a baronesa decidiu, no ano passado, protestar diante do Museu Thyssen. Estava vestida com um fato branco (calças e casaco), os lábios bem pintados de vermelho, o cabelo loiro penteadíssimo, e rodeada de vários guarda-costas. Deixou que os fotógrafos disparassem as máquinas enquanto posava enrolada em correntes, chegando mesmo a prender-se a uma das árvores ameaçadas, dizendo: "Têm de me cortar primeiro um braço a mim, antes de cortarem estas árvores divinas."O novo e, espera-se, derradeiro projecto de Siza não prevê o corte de qualquer árvore, reduz as faixas de trânsito para três e aumenta o passeio diante do Museu Thyssen de dois metros e meio para dez. A Fundação Thyssen informou num comunicado que não conhecia ainda a nova proposta de Siza. Espera-se agora a reacção da baronesa.

[POESIA PORTUGUESA FESTEJADA NA CIDADE DE PISA]

Chama-se Poética Atlântica e é a terceira edição deste festival que hoje se inaugura em Pisa (Itália), desta vez dedicado a Portugal. Nele participam Pedro Tamen, Casimiro de Brito, Gastão Cruz, José Tolentino Mendonça e Catarina Almeida que entrarão em diálogo com autores italianos: Valentino Zeichen, Maria Grazia Calandrone, Davide Rondoni, Roberto Veracini, Luisa Pianzola, Alfonso Berardinelli, Anna Maria Carpi, Roberto Galaverni, Giancarlo Pontiggia e Michelangelo Cammiliti.

Os poetas não estarão sós, já que está prevista também a presença de críticos, editores, músicos, filósofos e professores, bem como a apresentação de documentários.

A poesia será, por outro lado, celebrada pelo cinema. Dois filmes serão, nesse âmbito, hoje exibidos, no Cinema Teatro Lux, às 20 horas, Sophia de Mello Breyner Andresen, de João César Monteiro, Luiza Neto Jorge, de João Roque e, às 21 horas, Os Verdes Anos, de Paulo Rocha, Uma Abelha na Chuva, de Fernando Lopes e Autografia sobre Mário Cesariny, de Miguel Gonçalves Mendes.

No que se refere à poesia, a 1 de Junho, realizar-se-á um fórum sobre a edição, coordenado por Roberto Galaverno. Vários encontros e leituras estão previstos. Manuele Masini apresentará a antologia poética dos portugueses com a presença de alguns deles. Outras colectâneas serão divulgadas no evento, entre as quais a Campanotto, coordenada por Antonio Staude, e a de Lietto Colle, orientada por Stefania Crema e Vincenzo Mascolo. O centro do encontro será no jardim da livraria Feltrinelli que completa 50 anos de existência, uma vez que foi fundada por Giangiacomo Feltrinelli no longínquo 1957. No sábado, dia 2, realizar-se-á um concerto de música etno-jazz pela Orquestra di Piazza Vittorio.

28.5.07

[SHREK 3]

Para os apaixonados por Cinema de Animação como eu, aí vem mais um filme a não perder do nosso querido SHREK!!

27.5.07

[JOHNNY DEPP]

26.5.07

[CÁ SE FAZEM...]


Em Portugal tão depressa tem estado sol como faz chuva. A temperatura política muda rapidamente neste rectângulo habitado por funcionários públicos zelosos no seu dever de bufar. Deve ser a melhor forma de combater o frio que faz em carreiras congeladas há tanto tempo. A temperatura também sobe com os indicadores de crescimento económico e desce abruptamente com a taxa de desemprego. Talvez por isso haja muita gente a ficar constipada. No caso de Mário Lino, parece tratar-se de uma gripe mal curada.
A gafe de Sócrates, que deu as boas-vindas aos imigrantes que chegam a "um país cada vez mais pobre", foi rapidamente ultrapassada pela falha de Manuel Pinho, que prometeu empregos em postos de trabalho já ocupados. E esta passou à história quando Mário Lino descobriu um deserto na margem sul do Tejo. Melhor, só mesmo Almeida Santos a antever uma acção terrorista em que uma ponte é dinamitada para impedir os turistas de chegar a Lisboa.Uma semana de Governo Santana Lopes com metade dos espirros verbais desta semana socialista valia uma dúzia de pregos na cruz do "menino guerreiro".
Senhor primeiro-ministro, ponha ordem na casa. Os ministros que governem e falem só quando tiverem autorização do chefe. Ainda assim, cada um deles deve ter uma cábula na pasta, para saber o que pode dizer.O país não pode gastar energias a discutir a importância dos espirros verbais dos seus ministros. Não nos distraiam. Deixem-nos trabalhar. É disso que Portugal precisa.
Paulo Baldaia

[A CADEIRA QUE CÁ NINGUÉM QUIS PRODUZIR]


Quando em 1999 Filipe Oliveira Dias desenhou a Flame para o Teatro Helena Sá e Costa, no Porto, nenhuma empresa portuguesa manifestou interesse na sua produção. Acabaram por ser os catalães da Figueras International Seating (que têm trabalhado com arquitectos como Norman Foster, Jean Nouvel ou Renzo Piano) a aceitar o desafio. Este mês, a Casa Branca encomendou para a sua sala de imprensa em Washington várias dezenas delas, em pele natural azul-marinho.A Figueras não revela a quantidade nem o preço. Ao DN, Eva Blanco diz apenas que se trata de um "pedido emblemático", porque é dali que Bush e Condoleeza Rice falam ao mundo. A sala fica pronta em Setembro, e logo se verá como é, pela TV.Silenciosa, robusta, resistente a nódoas e inspirada nas linhas da harpa, a Flame foi concebida a pensar na sua presença física numa sala. "A acústica tem uma relevância tremenda. É dramático quando, num recital, se ouve ruído e, por causa disso, as pessoas acabam por ficar em posições incómodas", explica o arquitecto, que durante meses investigou o modo como o público influencia um auditório, a resistência dos materiais, o tipo de molas e articulações ou as dimensões dos apoios no chão para facilitar o trabalho de quem tem de aspirar. "Gostamos que os objectos sejam duráveis e compete a quem os cria pensar nisso", lembra.Embora "muito satisfeito" com a notícia desta encomenda, Filipe Oliveira Dias diz que o importante é que agrade a quem nela se sentar. Claro que este cliente é muito importante para a divulgação do seu atelier. Mas os royalties que receberá são os mesmos que recebeu por ter a sua Flame em 19 países, desde os teatros municipais de Bragança e Vila Real a auditórios da Europa, EUA e Singapura ou uma escola em Xangai.

[POEMAS QUE ARDEM EM GASOLINA E COMOÇÃO]

Nascido em 1978, Vasco Gato (VG) pertence àquela categoria de jovens poetas portugueses contemporâneos que acreditam, com uma fé inabalável, nas propriedades transcendentes da poesia. No extremo oposto da aproximação quase prosaica ao real, empreendida pelo campo dos auto-designados poetas "sem qualidades" (reunidos em torno do baudelairiano Manuel de Freitas), VG alinha com os autores que procuram, no acto de escrever versos, um meio de elevação que supere a banalidade quotidiana e se aproxime, com fulgores e prosódia, de uma certa ideia do sublime.

Após dois livros cheios de fragilidades - Um Mover de Mão (2000) e Imo (2003) -, A Prisão e Paixão de Egon Schiele (2005) mostrou que VG não só é bastante mais talentoso do que a maioria dos epígonos de Herberto Helder (o que não é difícil) como conseguiu moldar e depurar uma linguagem capaz de aliar, com inteligência e elegância, o ímpeto metafórico com uma certa narratividade.

É dessa linguagem, marcada pelo excesso e pela desmesura, que se fazem os versos de Omertà, um livro que é uma espécie de hino descarnado ao poder da poesia. Recorrendo a anáforas, inventários e enumerações, VG mergulha numa espécie de vórtice de imagens que procuram dinamitar a percepção comum do mundo. Mais do que a "construção de uma paisagem", o objectivo é criar a "ficção de um sobressalto", implicando-nos num estilhaçamento que nasce do embate do "poema-pedra" contra a realidade.

Nesta demanda de uma "vida transitiva, sem ensaios ou cosmética", há simultaneamente um efeito de intoxicação e de torpor. VG assume a poesia como algo que o corpo absorve e transforma, uma matéria que entra nas veias e se espalha à maneira dos vírus, um combustível que arde de "verso para verso", alimentado a "gasolina e comoção".

Valendo-se da facilidade com que cria metáforas, VG articula muito bem as suas imagens poderosas e viscerais, como quem lança relâmpagos capazes de iluminar a beleza mais secreta das coisas. O livro, contudo, ganharia em ser mais curto e depurado, porque há processos que se repetem em demasia e uma certa retórica lírica que se torna gratuita, previsível e algo cansativa.

Mais do que nos poemas breves e aforísticos ("Não se sai do abismo, aprende-se a sua linguagem"), é nos poemas longos que VG mostra o seu verdadeiro fôlego criativo e os fundamentos teóricos da sua estética, que passam por uma espécie de fusão com a própria escrita: "se um poema não tomou de assalto um homem, das duas uma: ou não era um poema, ou não era um homem". Ou ainda: "Todos os equívocos nascem da distinção entre poema e poeta. Como entre poema e leitor. Como entre poeta e leitor. Acordar é abrir um livro de poemas. Adormecer é abrir um outro livro de poemas."
José Mário Silva
in

24.5.07

[J'Y SUIS JAMAIS ALLÉ . YANN TIERSEN]

[LA VALSE D' AMELIE]


[DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE MAGAZINE]




O genérico do "Diz que é uma espécie de magazine" do Gato Fedorento foi baseado no vídeo e na música Petite Mèche de Cheveux de Claude François. Parabéns pela escolha. As influências na Arte sempre existiram! E a colagem está perfeita!