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13.9.08

[JOÃO DIXO]

Recordo já com saudade as aulas do meu Professor João Dixo, homem de um humor inteligente, que me ensinou sobretudo a pensar a PINTURA com LIBERDADE, com a liberdade de eu não usar o píncel mas de me exprimir com os mais variados materiais, suportes e técnicas. Com ele usei som com cor mas sem tinta, com ele aprendi a pensar e... consequentemente a pintar, se é que ao meu trabalho que desenvolvi até à data eu posso chamar Pintura, mas isso será outro assunto.

Tenho pelo Professor João Dixo a maior consideração, a maior estima! Devo-lhe muito e, aqui, manifesto publicamente o meu agradecimento.
Professor Jão Dixo, bem haja!

João Dixo é natural de Vila Real - Portugal, nasceu em 1941.
O seu currículo...
Curso Superior de Pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1966, com 20 valores.
Bolseiro da Fundação Gulbenkian, durante todo o curso , e ainda de 1975 a 77 em Paris com Programa de Investigação reconhecido pelo Instituto Nacional de Investigação Científica.
Curso de Ciências Pedagógicas da Faculdade de Letras da Universidade do do Porto.
Professor do Circulo de Artes Plásticas da Associação Académica de Coimbra de 1955/1975.
Membro Fundador do Grupo PUZZLE 1974/1979.
Membro de La Jeune Peinture, Paris 1974/1980.
Membro fundador da da APNDC (Bienal de Vila Nova Cerveira).
Docente da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto desde 1973 a 1997.
Responsável do grupo de desenho do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, desde a sua criação, 1986 a 1988.
Director da A.R.C.A./E.T.A.C. (Ensino Universitário) e responsável da Licenciatura de Pintura – Coimbra.
Exposições Individuais1963 Vila Real; 1965 Galeria Divulgação, Porto; 1966 Galeria Árvore, Porto; 1971 Galeria C. A. P. , Coimbra; 1972 Galeria Alvarez, Porto; 1972 Galeria Quadrante, Lisboa; 1972 Galeria Dois, Porto; 1973 Galeria S. Mamede, Lisboa; 1974 Galeria L55, Paris; 1975 Galeria Alvarez, Porto; 1977 Galeria Diagonale, Paris; 1978 Fundação Eng.º António de Almeida, Porto; 1979 Fundação Gulbenkian, Paris; 1980 Galeria J. N., Porto; 1985 Galeria E. G., Porto; 1990 Galeria E. G., Porto; 1992 Galeria E. G., Porto; 1993 Galeria Y Grego, Lisboa; 1995 Galeria Artesis, V. N. Gaia; 1996 Galeria Vandelli, Coimbra; 1996 Y Grego, (Feira de Arte), Exponor; 1997 Y Grego, Lisboa; 1997 Galeria Vandelli, Coimbra; 1999 Galeria Lídia Cruz, Leiria; 2001 Casa Municipal da Cultura, Coimbra; 2002 Galeria Por Amor à Arte, Porto; 2003 Galeria São Mamede, Lisboa
Colectivamente participou em mais de duas centenas e meia de exposições e Festivais de Arte e Performance a título individual e como membro do Grupo Puzzle, em Portugal e no estrangeiro, destacando: Todos os Salões de La Jeune Peinture, Paris de 1975 a 1979, Exposition Dossier, Paris, 1972, Les 6 Jour de La Peinture, marselha 1975; Semaine d’Action Arc. Musée d’Art Modern de La Ville de Paris, 1980. Todos os Encontros Nacionais de Arte em Portugal de 1974 a 1978; Simposium Internacional d’Art Performance, 1979, Lyon, L’Information et l’Art - Université Toulouse Le Mirall, 1979; Jovem Pintura Portuguesa em Paris, 1976, Moderna Pintura Portuguesa, 1975, S. Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Museu de Lund, Estocolmo, 1976; Artistas Portugueses, 1977, Fundação Gulbenkian, Paris; Arte Portuguesa em Madrid, 1977, Peinture Actuelle Bretigny; Exposition Dossier, 1972 Ville Juif, Paris; Comparaison/Opposition; 1973, Limoges; European Figuration, Turim, 1975; Evidence/Aparence, 1975, Limoges, Châteaurux, Tulles, Paris, Exposição Levantamento da Arte do Séc. XX no Porto Museu Soares dos Reis, 1975, Porto; Galerie Suicidaire, 1975, Nice, Damiron; Dixo; Ricatto e Solombre, Galerie Art-Extension, 1975, Paris; Recherche d’Identité/Paradis Perdu; 1977, Limoges; Journées d’Action et d’Information de La Jeune Peinture, Pavillon du Jardin du Luxembourg; 1977, Paris; Artistas Actuais do Porto na Colecção do Museu Soares dos Reis, 1978; L’éclairage du Discours, Galerie Noire, 1978, Paris; ESBAP/FBAUP, 1995, Coventry, Porto, Art Exange, 1996; Cinco Estações de Pintura, 1996, Porto; III Bienal de Arte AIP - Europarque, 1999; Tesouros de Portugal, Macau, 1999. Grupos no Porto do século XX do programa Porto Capital Europeia da Cultura - Galeria do Palácio; Porto 60/70 os artistas e a cidade Museu de Serralves do programa Porto Capital Europeia da Cultura 2001.
Representado entre outras nas colecções das seguintes instituições: Fundação Gulbenkian (Centro de Arte Moderna), Lisboa; Museu Soares dos Reis, Porto; Casa de Serralves (Museu de Arte Contemporânea), Porto; Fundação Cupertino de Miranda, Famalicão, Museu de Amarante, Museu Malhoa, Caldas da Rainha; Museu de Ovar e também nas Colecções do Forum da Maia, Câmara de Vila Real, Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, S. Miguel, Açores, e nas Colecções dos Bancos BPA, BPI, CGD, UBP, BCM, Banco de Portugal, Companhia Portuguesa do Cobre, Polimaia, Gec Alsthom.
Das Encomendas Públicas de Grandes Dimensões, destaca: Instituto Português de Oncologia do Porto; Centro de Saúde de Montalegre; Grande Salão de Recepções da Fábrica Flor do Campo, Stº Tirso; Conjunto de Esculturas e Pintura para a Companhia Portuguesa do Cobre, Porto; Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, S. Miguel, Igreja Matriz de Ponta Garça, Açores; Convite da Gec Alsthom para a decoração mural de uma das Estações de Metro do Porto.

5.8.08

[VAN EYCK TO TITIAN]

in http://www.nationalgallery.org.uk/exhibitions/renaissancefaces/default.htm

17.10.07

[DEBUSSY AND IMPRESSIONIST MOVEMENT]

Debussy's Prelude Book 1 No.7

CLAUDE DEBUSSY...

Born: August 22, 1862. St. Germaine-en-Laye, France

Died: March 5, 1918. Paris, France.

In his own words...


"A symphony is usually built on a melody heard by the composer as a child. The first section is the customary presentation of a theme on which the composer proposes to work; then begins the necessary dismemberment; the second section seems to take place in an experimental laboratory; the third section cheers up a little in a quite childish way, interspersed with deep sentimental phrases during which the melody recedes, as is more seemly; but it reappears and the dismemberment goes on... I am more and more convinced that music is not, in essence, a thing which can be cast into a traditional and fixed form. It is made up of colors and rhythms."

French composer and critic. Debussy's music is often associated with the contemporary impressionist movement in painting, and his approach shares some characteristics of this style...

in http://www.essentialsofmusic.com/composer/debussy.html

30.6.07

[THE WOMEN AND ART]

5.6.07

[ANDY WARHOL]















Um dos iniciadores e expoentes da Pop Art.
Nasceu em 6 de Agosto de 1928, em Pittsburgh, nos E.U.A.;
morreu em 22 de Fevereiro de 1987, em Nova Iorque.
Terceiro e último filho de emigrantes da Checoslováquia, de apelido Warhola, o pai, Andrei, veio para os Estados Unidos para evitar ser recrutado pelo exército austro-húngaro, no fim da Primeira Guerra Mundial. Em 1921 a mulher, Julia, juntou-se-lhe, tendo a família ido viver para Pittsburgh. Durante essa época Andy foi atacado por uma doença do sistema nervoso central, que o tornou bastante tímido.

Estudou no liceu de Schenley onde frequentou as aulas de arte, assim como as aulas do Museu Carnegie, instituição sedeada perto do liceu. A família, com base nas poupanças, conseguiu pagar-lhe os estudos universitários no célebre Instituto de Tecnologia Carnegie, a actual Carnegie Melon University, onde teve que se se esforçar bastante, sobretudo na cadeira de Expressão, devido ao seu deficiente conhecimento do inglês, já que a mãe nunca tinha deixado de falar checo em família. Por sua vez, nas aulas artísticas, em vez de ter Andrew criava problemas, ao não aceitar seguir as regras estabelecidas.

De qualquer maneira, devido ao fim da 2.ª Guerra Mundial, foi obrigado a abandonar o Instituto no fim do primeiro ano, para dar lugar aos soldados americanos desmobilizados, a beneficiar de entrada preferencial nas Universidades americanas com a passagem da Lei de Desmobilização (GI Bill). Alguns dos seus professores defenderam a sua permanência na instituição, e pôde por isso frequentar o Curso de Verão, que lhe permitiria reinscrever-se no Outono seguinte. Os seus trabalhos nesse Curso fizeram-no ganhar um prémio do Instituto e a exposição dos seus trabalhos. Acabou a licenciatura com uma menção honrosa em desenho, indo viver para Nova Iorque em Junho de 1949, à procura de emprego como artista comercial.

Contratado pela revista Glamour, começou por desenhar sapatos, mas os primeiros desenhos apresentados tiveram de ser refeitos devido às suas claras sugestões sexuais. Passou a desenhar anúncios - actualmente ainda muito normais na publicidade de moda nos EUA - para revistas como a Vogue e a Harper's Bazaar, assim como capas de livros e cartões de agradecimento.

Em 1952 a sua mãe foi ter com ele a Nova Iorque. Entretanto tinha retirado o «A» final do seu apelido e passado a usar uma peruca branca, bem visível por cima do seu cabelo escuro. Em Junho desse ano realizou a sua primeira exposição na Hugo Gallery: «15 Desenhos baseados nos escritos de Truman Capote». A exposição foi um sucesso não só comercial como artística, que lhe permitiu viajar pela Europa e Ásia em 1956.

Em 1961 realizou a sua primeira obra em série usando as latas da sopa Campbell's como tema, continuando com as garrafas de Coca-Cola e as notas de Dólar, reproduzindo continuamente as suas obras, com diferenças entre as várias séries, tentando tornar a sua arte o mais industrial possível, usando métodos de produção em massa. Estas obras foram expostas, primeiro em Los Angeles, na Ferus Gallery, depois em Nova Iorque, na Stable Gallery. Em 1963 a sua tentativa de «viver como uma máquina» teve uma primeira aproximação com a inauguração do seu estúdio permanente - The Factory - A Fábrica.

Andy Warhol passou então a usar pessoas universalmente conhecidas, em vez de objectos de uso massificado, como fontes do seu trabalho. De Jacqueline Kennedy a Marilyn Monroe, passando por Mao Tse-tung, Che Guevara ou Elvis Presley. A técnica baseava-se em pintar grandes telas com fundos, lábios, sobrancelhas, cabelo, etc. berrantes, transferindo por serigrafia fotografias para a tela. estas obras foram um enorme sucesso, o que já não aconteceu com a sua série Death and Disaster (Morte e Desastre), que consistia em reproduções monocromáticas de desastres de automóvel brutais, assim como de uma cadeira eléctrica.

Em 1963 começou a filmar, realizando filmes experimentais, propositadamente muito simples e bastante aborrecidos, como um dos seus primeiros - Sleep (Dormir) - que se resumia à filmagem durante oito horas seguidas um homem a dormir, ou Empire (Império), que filmou o Empire State Building do nascer ao pôr do sol. Mas os filmes foram tornando-se mais sofisticados, começando a incluir som e argumento. O filme Chelsea Girls, de 1966, que mostra duas fitas lado a lado documentando a vida na Factory, foi o primeiro filme underground a ser apresentado numa sala de cinema comercial.

Para além do cinema Warhol também foi produtor do grupo de rock-and-roll Velvet Underground, que incluía naquela época Sterling Morrison, Maureen Tucker, John Cale e Lou Reed e o cantor alemão Nico. Arranjou-lhes um local para ensaiar, pagou-lhes os instrumentos musicais e deu-lhes alguma da sua aura. Para além dos discos os Velvet e Warhol produziram o espectáculo Exploding Plastic Inevitable, que utilizava a música do grupo e os filmes do artista. Os Velvet, já famosos, entraram definitivamente na história ao darem o nome à revolução checa de 17 de Novembro de 1989 que derrubou pacificamente o regime comunista - a Velvet Revolution.

Em Junho de 1968 Valerie Solanas, uma frequentadora da Factory, criadora solitária da SCUM (Society for Cutting Up Men), entrou no estúdio de Warhol e alvejou-o quase mortalmente. O pintor demorou mais de dois meses a recuperar. Quando saiu do hospital tinha perdido muita da sua popularidade junto da comunicação social. Dedicou-se então a criar a revista Interview, e a apoiar jovens artistas em início de carreira, para além de escrever livros - a sua autobiografia The Philosophy of Andy Warhol (From A to B and Back Again) foi publicada em 1975 -, e apresentar dois programas em canais de televisão por cabo. A sua pintura voltou-se para o abstraccionismo e o expressionismo, criando a série de pinturas - Oxidation (Oxidação) - que tinham como característica principal o terem recebido previamente urina sua.

Em 1987 foi operado à vesícula. A operação correu bem mas Andy Warhol morreu no dia seguinte. Era célebre há 35 anos. De facto, a sua conhecida frase: «In the future everyone will be famous for fifteen minutes» (No futuro, toda a gente será célebre durante quinze minutos), só se aplicará no futuro, quando a produção cultural for totalmente massificada e em que a arte será distribuída por meios de produção de massa. in http://www.arqnet.pt/portal/biografias/warhol.html



4.6.07

[MARCEL DUCHAMP]


Pintor e escultor francês. Produziu obras de tendência impressionista, expressionista e cubista.Também foi entusiasta de xadrez, chegando a representar a França nas Olimpíadas de Xadrez; Também foi dirigente das FIDE. Ver biografia em http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcel_duchamp
Ver biografia de xadrezista e algumas partidas em http://www.chessgames.com/perl/chessplayer?pid=36967
Enviado pelo amigo Professor João Maduro. Obrigada!

Marcel Duchamp (Blainville-Crevon, 28 de julho de 1887Neuilly-sur-Seine, 2 de outubro de 1968) foi um pintor e escultor francês.
É um dos precursores da
arte conceptual e introduziu a idéia de ready made como objeto de arte. Irmão de Jacques Villon e Raymond Duchamp-Villon, estes também artistas que gozaram de reputação no cenário artístico europeu, Marcel Duchamp começou sua carreira como artista criando pinturas de inspiração impressionista, expressionista e cubista. Dessa fase, destaca-se o quadro Nu descendo a escada, que apresenta uma sobreposição de figuras de aspecto vagamente humano numa linha descendente, da esquerda para a direita, sugerindo a idéia de um movimento contínuo. Esse quadro, na época de sua gênese, foi mal recebido pelos partidários do Cubismo, que o julgaram profundamente irônico para com a proposta artística por eles pretendida. Essa fase lhe rendeu, ainda, o quadro Rei e rainha rodeados por rápidos nus, que sugere um rápido movimento através de duas figuras humanas, e A noiva, que apresenta formas geométricas bastante delineadas e sobrepostas, insinuando uma figura de proporções humanas. Este último foi bastante utilizado no seu projeto mais ambicioso, de que trataremos a seguir.
Sua carreira como pintor estendeu-se por mais alguns anos, tendo como produto quadros de inegável valor para a formação da pintura abstrata. É, no entanto, como escultor que Duchamp vai atingir grande fama. Tendo se mudado para
Nova York e largado a Europa numa espécie de estagnação criativa, Duchamp encontra na América um solo fértil para sua arte dadaísta. Decorrente dessa fase, e em virtude de seus estudos sobre perspectiva e movimento, nasce o projeto para a obra mais complexa do artista: A noiva despida pelos seus celibatários, mesmo (ou O grande vidro). Trata-se de duas lâminas de vidro, uma sobre a outra, onde se vê uma figura abstrata na parte de cima, que seria a noiva, inspirada no quadro acima mencionado, e, na parte de baixo, se percebe uma porção de outras figuras (feitas de cabides, tecido e outros materiais), dispostas em círculo, ao lado de uma engrenagem (retirada de um moinho de café). Essa obra consumiu anos inteiros de dedicação de Duchamp, e só veio a público muito depois do início de sua construção, intercalada, portanto, por uma série de obras. Não se tem um consenso acerca do que representa essa obra, mas diversas opiniões conflitantes, com base em psicologismos e biografismos, renderam e ainda rendem bastante discussão.
Além disso, Duchamp é o responsável pelo conceito de ready made, a saber, o trasporte de um elemento da vida cotidiana, a priori não reconhecido como artístico, para o campo das artes. A princípio como uma brincadeira entre seus amigos, entre os quais
Francis Picabia e Henry Roché, Duchamp passou a incorporar material de uso comum às suas esculturas. Em vez de trabalhá-los artisticamente, ele simplesmente os considerava prontos e os exibia como obras de arte. A Fonte, obra que fez repercutir o nome de Duchamp ao redor do mundo - especialmente depois de sua morte -, está baseada nesse conceito de ready made: pensada inicialmente por Duchamp (que, para esconder o seu nome, enviou-a com a assinatura "R. Mutt", que se lê ao lado da peça) para figurar entre as obras a serem julgadas para um concurso de arte promovido nos Estados Unidos, a escultura foi rejeitada pelo júri, uma vez que, na avaliação deste, não havia nela nenhum sinal de labor artístico. Com efeito, trata-se de um urinol comum, branco e esmaltado, comprado numa loja de construção e assim mesmo enviado ao júri; entretanto, a despeito do gesto iconoclasta de Duchamp, há quem veja nas formas do urinol uma semelhança com as formas femininas, de modo que se pode ensaiar uma explicação psicanalítica, quando se tem em mente o membro masculino lançando urina sobre a forma feminina.
Os ready made passaram, então, a ser o elemento de destaque da produção de Duchamp. Entre os mais famosos, podemos citar a obra
L.H.O.O.Q. (sigla que, lida em francês, assemelha-se ao som da frase "Elle a chaud au cul", que, traduzida para o português, significa "Ela tem fogo no rabo"), que nada mais é do que uma reprodução do célebre quadro de Leonardo Da Vinci, Mona Lisa, acrescida de bigodes e barba.
Além disso, sua obra está vinculada, de algum modo, ao seu modo de vida boêmio, propiciado pelo convívio com pessoas influentes e poderosas no meio artístico norte-americano. Num de seus acessos de iconoclastia e irresponsabilidade, Duchamp lançou na cena artística nova-iorquina a figura de Madame
Rose Sélavy (cujo sobrenome se assemelha à expressão francesa "C'est la vie", ou seja, "É a vida", em português), uma artista dotada de uma ironia profunda, bem como de uma paixão por trocadilhos (evidentemente, aspectos oriundos da personalidade do próprio Duchamp). Ela também assinou uma parte dos ready made, podendo ela mesma ser considerada um ready made duchampiano, na medida em que era uma espécie de transfiguração artística de uma personalidade real do artista. Há, inclusive, uma foto em que Duchamp aparece travestido de Rose Sélavy.
Duchamp era, ainda, entusiasta do xadrez, tendo se filiado a vários clubes e participado com relativo êxito de torneios mundo afora. Pode-se dizer que uma parte da sua vida foi consagrada ao estudo desse jogo. Além disso, dedicou-se ao estudo da "quarta dimensão", o que, de alguma forma, orientou a sua criatividade artística para problemas óticos. Os
Rotoreliefs, discos coloridos que, quando girados com extrema rapidez, produziam efeitos óticos, é mais uma de suas tentativas de se aproximar das pesquisas que fazia. O estudo do olhar sobre a arte interessou muito a Duchamp, que se opunha àquilo que ele próprio dizia ser a "arte retiniana", ou seja, uma arte que agrada à vista. Pode-se, de certo modo, compreender toda a arte de Duchamp como um esforço para se afastar da "arte retiniana" e passar para uma arte mais "cerebral", em que se ressaltam os aspectos mais intelectuais do labor artístico. Dessa forma, os ready made, inclusive, são uma tentativa de escapar da "arte retiniana", uma vez que confrontam o público, oferecendo-lhes algo que ele próprio já viu algures, forçando-o a pensar e refletir sobre a questão da arte enquanto linguagem.
Vale a pena ressaltar que a obra de Duchamp deixou um legado importante para as experimentações artísticas subseqüentes, tais como o
Dadaísmo, o Surrealismo, o Expressionismo Abstrato, a Arte Conceitual, entre outros. Muitos dos artistas identificados com essas tendências prestaram tributo a Duchamp, quando não o conheceram de fato, tendo com ele um contato direto (ou, às vezes, íntimo), o que influenciou as suas respectivas obras. John Cage, por exemplo, trocou idéias com Duchamp, e André Breton, pai do Surrealismo, por várias vezes tentou cooptar Duchamp para a causa do movimento surrealista; Tristan Tzara, um dos responsáveis pelo Dadaísmo, também reconheceu na obra de Duchamp, apesar do pouco contato da arte norte-americana com a arte européia, uma espécie de precursora.