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25.9.09

[O TRIUNFO DOS ANIMAIS . UMA FÁBULA DE ABRIL]


“Quatro patas bom, duas pernas mau”, George Orwell
Era uma vez uma quinta habitada pelos diferentes animais que existem numa quinta. Num passado remoto eclodira aí uma revolução que devolveu a todos os animais a democracia, isto é, a liberdade para se exprimirem e para escolherem aqueles que deviam representá-los e orientá-los na gestão colectiva da quinta. Muito depois desses tempos gloriosos e míticos, a quinta passou a ser administrada por um regedor que foi eleito pela maioria dos seus residentes. Antes de assumir tão grandes responsabilidades, o dito regedor comprometeu-se a trabalhar pelo progresso da quinta e pelo bem-estar de todos aqueles que aí viviam. Mas, após a eleição, esqueceu-se das obrigações e promessas então celebradas e foi transformando, paulatinamente, a quinta que era de todos numa reserva sua.
O tempo foi passando, a maioria das quintas vizinhas prosperando e a reserva do regedor definhando. A falta de trabalho aumentou produzindo um desventurado cortejo de calamidades sociais; as infra-estruturas caducaram; muitos dos melhores ou mais jovens obreiros, não vislumbrando perspectivas de futuro no território da reserva, migraram para paragens mais promissoras; as relações entre o regedor e os restantes animais da reserva deterioraram-se.
Indiferentes aos deprimentes sinais do tempo, o regedor e os seus mais fiéis servidores, irremediavelmente extasiados pelas fragrâncias inspiradas na casa grande da reserva, interiorizaram e publicitaram a sua representação do seu pequeno mundo. Para eles a reserva era uma espécie de oásis celeste exemplarmente governado, embora minado por perpétuas e tenebrosas conspirações.
Depois chegou o inevitável tempo das purgas a adversários e a velhos aliados, que sulcou um fosso ainda mais profundo entre a pequena elite de animais que fruía do poder, dos meios de produção, dos rendimentos e mordomias da reserva e a maioria dos animais sem poder que trabalhavam arduamente e desse modo contribuíam para os proveitos materiais e espirituais da reserva.
Apesar do declínio evidente da reserva e das manifestas incapacidades e iniquidades do regedor, o ambiente de “paz podre” entranhou-se. O medo, a subserviência, a resignação, o pragmatismo, a inveja, a falta de criatividade e de habilidade, tudo isto tolhia os animais entretanto considerados menos iguais a darem o corpo e a alma a um manifesto viável que reivindicasse, pela via democrática, a deposição do regedor. Por sua vez, este, orgulhosamente só, aprendeu, com a experiência e a sua refinada intuição política, a eliminar os putativos sucessores, a silenciar todos os opositores, e, sempre no momento oportuno, a conquistar, sub-repticiamente, o apoio das turbas.
Até que, numa manhã resplandecente de Abril, o destino, sempre tão ardiloso, resolveu alterar este status quo e devolver a esperança a todos os animais da reserva – os quais voltaram a acreditar na possibilidade de resgatar o legítimo significado cívico da ancestral, jovial e promissora quinta dos tempos lendários da revolução.


Luís Torgal
(obrigado amigo!!)

30.6.09

[EU PENSO POSITIVO]

É assim que se pensa positivo!!!!
O que é de facto significativo? O filho que muitas vezes não limpa o quarto e fica a ver televisão, significa que... Está em casa! A desordem que tenho de limpar depois de uma festa, significa que... Estivemos rodeados de familiares e amigos! Não encontro estacionamento, significa que... Tenho carro! As queixas que escuto acerca do governo, significam que... Tenho liberdade de expressão (por enquanto)! O trabalho que tenho em limpar a casa, significa que...Tenho uma casa! As roupas que estão apertadas, significa que...Tenho mais do que o suficiente para comer! Os gritos das crianças, significam que... Posso ouvir! O despertador que me acorda todas as manhãs, significa que... Estou viva! O cansaço no final do dia, significa que... Posso trabalhar!

QUANDO PENSARES QUE A VIDA TE CORRE MAL...REPETE ESTA LEITURA!!!
Finalmente, pela quantidade de mensagens que recebo, significa que...Tenho amigos que pensam em mim!!
Obrigada a todos!


15.12.08

[HOW TO PROTECT YOURSELF]


As boas ideias são para circular, e eu já fiz a minha parte. As boas ideias são para publicar em todos os lugares possíveis, e aqui se dá um contributo para isso.Que volta podemos dar relativamente aos colegas que foram obrigados, logo no início do ano, a apresentar os objectivos individuais?
Como estoirar com a avaliação burocrática sem cometer ilegalidades?
1. Há cerca de 140 mil professores. Com excepção dos membros dos PCEs, que ou não são avaliados ou sê-lo-ão pelas DREs, todos os outros dispõem da liberdade e da responsabilidade de recusarem ser avaliados.
2. Essa recusa aplica-se aos não titulares e aos titulares, aos que o são de facto e aos que o são em comissão de serviço.2. Aplica-se também aos coordenadores de departamento.
3. De acordo com o decreto-lei 15/2007 e o decreto regulamentar 2/2008, um professor que recuse ser avaliado não pode progredir na carreira nesse ano.
4. Não existe mais nenhuma penalização prevista. Como a esmagadora maioria dos docentes não progride este ano na carreira, a penalização é residual.
5. Está nas mãos de todos os professores - porque todos têm o estatuto de avaliados -, recusarem ser avaliados.
6. Não é necessário que os avaliadores recusem avaliar os colegas. Se o fizerem podem estar a incorrer numa violação dos direitos profissionais, visto que faz parte dos conteúdos funcionais dos professores titulares a avaliação dos colegas.
7. Quando o ME e algumas DREs - em especial aquela do Norte -, ameaçam com processos disciplinares estão a referir-se apenas aos avaliadores que recusam avaliar os colegas.
8. Como provei atrás, para estoirar com o modelo burocrático não é necessário que os avaliadores violem conteúdos funcionais.
9. Basta que os avaliadores, à semelhança dos não titulares, recusem ser avaliados.
10. E desta forma simples, o modelo estoira. O ME sabe disse. A ministra também. Por isso é que ela está acabada. O Pedreira também sabe. Todos sabem. E nós também sabemos. É um segredo de Polichinelo.
In
Profblog.

9.12.08

[PARA ONDE FOI A MINHA ESCOLA?]

Onde está a Escola humana e solidária, onde eu há trinta e tal anos comecei a leccionar com paixão?
Onde estão os tempos em que, com dedicação e carolice, nos juntávamos para construir uma Escola onde professores e alunos gostavam de estar?
Quem organizava:
As Visitas de Estudo?
As Festas de Natal?
O Fim do Ano Lectivo?
As Feiras do Livro?
As Exposições?
Os Dias do Ambiente?
Os Dias da Alimentação?
Os Encontros com Escritores e Poetas?
E tantas, tantas outras coisas? – OS PROFESSORES!
Quem pôs em prática, sem apoio logístico, os novos programas que sucessivamente foram aparecendo? Quem produziu os respectivos materiais?
E a Área Escola? E o Desenvolvimento Pessoal e Social? E a seguir, a Área de Projecto?
O Estudo Acompanhado? A Formação Cívica? Quem pesquisou? Quem criou os materiais? Quem as implementou? – OS PROFESSORES!

Durante trinta e quatro anos, com paixão, lutei para que os meus alunos fossem autónomos, responsáveis, intervenientes e solidários.
Hoje sinto-me enclausurada, abafada em papéis, dossiês e burocracias.
Tudo tem de ser feito em papel e suporte informático: a mesma letra, o mesmo espaço, o mesmo cabeçalho, as mesmas grelhas, o mesmo método “copiar/colar”…
Quero construir um Projecto Curricular de Turma, depois de conhecer bem os meus alunos, os seus interesses e necessidades – Não posso! Tenho de cumprir os prazos estipulados e vestir-lhes a roupagem que me impuseram.
Quero, numa aula, ir ao encontro das necessidades dos alunos e falar de um tema que lhes interessa – será que posso? Na grelha de planificação o assunto está previsto?
Estou numa reunião; será que posso manifestar a minha opinião? – Não posso! Cortam-me a palavra! A minha intervenção não estava prevista na ordem de trabalhos.

Não, não é assim que se constrói uma Escola de excelência!
Sou uma mulher de espírito livre, defensora de uma Escola de qualidade, onde cada um seja tratado como pessoa e se exija sem autoritarismo.
Um dia destes – já falta pouco! – vou-me embora, como tantos outros colegas têm feito. A verdade é que ninguém é insubstituível e logo virá alguém para o meu lugar!
Com pena, pois sinto que tinha muito ainda para dar, mas já não me identifico com esta Escola!
Com saudade, muita saudade dos alunos que comigo cresceram, aprenderam, riram, choraram e foram sempre estimulados a fazer mais e melhor!
Com saudade de alguns colegas solidários e amigos. Com estes tenciono continuar a encontrar-me cá fora!
Lembraria, tão-somente, que a Escola não se constrói só com grelhas excel, word, dossiês, portefólios… e muito menos com medo!
Faz-se com seres humanos, os quais têm de saber ser intervenientes, defensores dos seus direitos e solidários!
de Professora Manuela Fong . Coimbra . Portugal

17.10.08

[A ESCOLA PÚBLICA E O FORDISMO, POR LUÍS TORGAL]


A escola pública morreu, enquanto espaço democrático multifacetado (e idealista) de instrução científica e artística e de formação cívica — já o proclamei aqui algumas vezes. Foi abruptamente estilhaçada pelo maremoto das desconexas e demagógicas ordenações socratistas de 2008: novo estatuto do aluno, nova lei sobre o ensino especial, novo regulamento de avaliação de desempenho docente e novo modelo de gestão escolar. Foi desacreditada pela propaganda do ministério e da ministra que a tutelam e caiu em desgraça junto da opinião pública. Foi tomada por demasiados candidatos a futuros directores escolares embevecidos pelos decálogos de José Sócrates e inebriados pelas cartilhas sobre as dinâmicas de gestão no mundo neoliberal – afinal, as mesmas cartilhas que agora puseram o mundo à beira do caos. Foi pervertida pela imposição, por parte do Ministério da Educação, de um sistema burocrático kafkiano que visa obrigar os professores a fabricarem um sucesso educativo ilusório. Foi adulterada por alguns professores pragmáticos ou desprovidos de consciência crítica, os quais exibem a sua diligente e refinada burocracia como arma de arremesso para camuflar as suas limitações científicas, pedagógicas e culturais. E, neste momento, quando decorrem nas várias escolas eleições para os conselhos gerais transitórios, está a ser vítima de um já previsível mas intolerável processo de politização (no sentido mais pejorativo da palavra). Tal processo é dirigido por forças que em muitos casos se mantiveram durante anos alheados dos grandes problemas das escolas, mas que na actual conjuntura encaram estas instituições (outrora) educativas como tribunas privilegiadas para servirem maquiavélicos interesses de poder pessoal e/ou de carácter político-partidário.
A nova escola pública que está a emergir é uma farsa. Tornou-se um território deveras movediço, onde reina uma desmedida conflitualidade (e competitividade) social e política e uma grotesca e insuperável contradição entre os conceitos de “escola inclusiva” e de “pedagogia diferenciada”. Nesta instituição naufragaram, entretanto, num conspurcado lamaçal, os nobres ideais instrutivos, formativos e educativos. O famoso PC portátil “Magalhães”, ofertado em grande escala, numa bem encenada operação de marketing, a alunos do primeiro ciclo que cada vez sabem menos de Português ou Matemática e utilizam os computadores somente para simples divertimento é, de resto, o mais recente exemplo do sentido irreal e burlesco das prioridades deste sistema educativo.
A nova escola pública é hoje uma empresa gerida por muitos tecnocratas alinhados com a actual ordem política, e equipada por operários que se desejam amanuenses servis e catequizados na alegada única ideologia vigente (a qual — agora já todos o sabemos — se encontra manifestamente em crise). A verdadeira função desta espécie de mal engendrada e desalmada linha de montagem é produzir, automaticamente, em massa, de forma acelerada, e a baixos custos, duvidosos produtos estandardizados. Esta nova escola é, afinal, um hino ao velho Fordismo. O tal sistema que venerou o dinheiro como deus supremo do homo sapiens sapiens e que projectou um mundo sublime, onde o Homem é castrado da sua capacidade cognitiva e coagido a demitir-se das suas quotidianas obrigações familiares bem como de outros cívicos desígnios sociais em nome do lucro desenfreado (de uns poucos), da sobrevivência, do consumismo e do hedonismo desregrados. Aquele sistema perfeito superiormente ironizado por Aldous Huxley (“Admirável Mundo Novo”) ou por Charlie Chaplin (“Tempos Modernos”), nos anos 30 do século XX, que está agora no epicentro de mais um “tsunami” financeiro de consequências imprevisíveis para a humanidade, “tsunami” esse cujas causas são reincidentes e estão bem diagnosticadas. Enfim, aquele implacável sistema materialista mecanicista e “darwinista” cujo modo de vida John dos Passos também satirizou, numa obra datada dos mesmos anos 30 (“O Grande Capital”), com esta antológicas palavras: “quinze minutos para almoçar, três para ir à casa de banho; por toda a parte a aceleração taylorizada: baixar, ajustar o berbequim-acertar a porca-apertar o parafuso. Baixarajustaroberbequimacertaraporcaapertaroparafuso, até que a última parcela de vida tenha sido aspirada pela produção e que os operários voltem para casa, trémulos, lívidos e completamente extenuados”.
“Porreiro pá!” Mas, pá, será esta a escola e o mundo que nós desejamos para os nossos alunos, para os nossos filhos?
Luís Filipe Torgal, autor do texto
Obrigada Luís!

[PARECE QUE NOS QUEREM CALAR!]


Considero-me uma militante nas ARTES, no ensino das ARTES para JOVENS, REPITO! A ARTE é inovação, é criatividade, é comunicação, é liberdade, é expressão. Não há ARTE sem Liberdade de Expressão.
Não tenho dúvidas que muitos professores que, pertencem ao meu Departamento, na minha escola, são Professores de Grande Currículo, PROFESSORES (com todas as letras maiúsculas) de anos de Dedicação ao Ensino, aos seus Alunos e até a outras causas nobres. Outros se não estão, já estiveram. Que não se serviram do Ensino, mas que estão e estiveram sempre ao Serviço do Ensino!! Alguns se a minha escola os convidasse colaboravam, continuavam a colaborar connosco. A título de exemplo a Professora Ilda Moura, de quem tenho muitas saudades.
Já todos nós deixámos a família de parte para estarmos na Escola, horas, horas e horas, dias a fio. Até há bem pouco tempo ninguém reclamava e trabalhávamos muito, por gosto e, sem ordens de monitorização aos nossos sumários. Alguém sabe exactamente o que é que isto?
“Os professores não estão tranquilos. A Escola é um lugar de tranquilidade. Não pode haver educação sem tranquilidade” palavras de um colega de outra escola, o Artur.
Isto é verdade! Isto constacta-se no dia a dia, em todas as escolas, na minha escola também!
Não temo a Avaliação do meu DESEMPENHO como professora. Sempre fomos avaliados “desde a escola primária”, concordo. E alguém, com alguns anos de ensino, já disse, cito: “Nos contratos que fazem na escola, no início da carreira, os professores comprometeram-se sempre a desempenhar o cargo exemplarmente.”
Temo sim este modelo de Avaliação dos Professores, importado do Chile, com não sei quantos itens a preencher, escolhido por um “conselho científico mas sem cientistas” “e independente” mas “nomeado pelo nosso Ministério da Educação”. Parece ser de uma lógica economicista… de cotas, de prestar contas, de "preputência", não será? Ou será que a avaliação que nos querem impôr vai ser utilizada para promover o desenvolvimento profissional dos professores? E numa perspectiva de promover as aprendizagens dos alunos!
Como já é do conhecimento de todos, os actos de delegação de poderes, neste caso de competências para avaliar estão sujeitos a publicação no Diário da República, tal como está estipulado no Artigo 37º do Código de Procedimento Administrativo.
Quem vai avaliar-me? Quem vai avaliar estes professores do meu departamento? Bom, a minha coordenadora diz que me vai avaliar, e vai também avaliar os colegas de Educação Física. Só na parte científica é que surgiu a dúvida... Parece que a colega não vai ser avaliada??
Quando é que me vão avaliar - datas? Quando é que vão avaliar todos os professores do meu Departamento - datas?
Na ESCOLA eu realizo-me na sala de aula, a ensinar, a ver o progresso dos alunos, no desenho, na pintura, na composição, na cor dos trabalhos deles, na evolução dos seus pensamentos e discursos, realizo-me a observar o seu CRESCIMENTO. Eu realizo-me a montar as exposições dos trabalhos dos alunos, com eles. Eu realizo-me a contemplar os seus trabalhos e performances. Eu realizo-me a criar.
Perguntei no meu departamento se existe algum colega que se realiza a avaliar os professores? Ou que se realizará a avaliar os professores? Também ninguém respondeu!! E todos os professores não concordam com o actual modelo.
Já alguém dizia que “nós temos que ser avaliados pelo que fazemos pelos alunos, não pelos resultados dos alunos, o contrário é um pensamento naftalinoso.”
Eu sou justa na avaliação que faço aos meus alunos, nem coloco isso em causa! Mas se colocar, tento resolver esse problema, por isso demoro tempo, preciso de tempo!
Não parto para uma avaliação futura sem primeiro informar o aluno onde é que falhou e como é que pode melhorar.
Muitos colegas contratados, alguns na minha escola, ainda não sabem dos resultados das suas avaliações de desempenho do ano passado. Mas já estão a iniciar um outro ano.
Aqui verifica-se um erro tecnico-pedagógico grave e aplicado por quem?? Professores??
E a propósito do excesso de carga horária semanal dos professores, tomem atenção a este, comentário de uma colega de uma escola que desconheço:
"Hoje estou mesmo de "língua de fora". Comecei às 8 e meia a dar Estudo Acompanhado a seguir tive um furo de 90 minutos. Fui a casa adiantar a correcção de testes diagnósticos, mas antes e sem saber os resultados já tive de dar as planificações aos Directores de Turma para os PCT’S. A seguir dei formação cívica. De tarde, 6 horas na escola a dar aulas, a escrever cartas a encarregados de educação por causa de faltas e a pensar no que quero apresentar para o PAA. Agora estou em casa a trabalhar na direcção de turma, com a ajuda do meu marido, porque não houve tempo para que o trabalho fosse feito no devido local. E tenho que imprimir a folha de fotos dos alunos a cores para pôr no livro de ponto, porque a escola não tem tinteiros.
Por acaso não tive reuniões ao final do dia. Passei o fim-de-semana sem pôr os pés na rua, a corrigir testes. Amanhã tenho que estar às oito e trinta na escola. Vou na segunda semana de aulas e, não fora a experiência, seria uma lástima. Não sobra tempo para preparar estratégias que seduzam os alunos. Só a força anímica e o grande amor pelos jovens nos permitem continuar. Dentro da sala de aula esqueço tudo e sou feliz, porque vejo na actividade docente uma dimensão cultural e cívica que ainda me fascina.
Mas hoje, tive que interromper uma aula, sentar-me dois minutos, segurar a cabeça, não pude ir beber àgua porque a auxiliar não permite, tem ordem para marcar-me falta e vai fazer queixa e eu posso levar com um processo disciplinar, ou ser prejudicada na avaliação do meu desempenho.
Tinha que tomar um pacote de açúcar para me segurar... ESTOU EXAUSTA!!!”
Ninguém consegue humanamente fazer tanta coisa ao mesmo tempo! Mas o que é isto?? Todos vemos tantos professores a queixarem-se? Será tudo mentira? Os professores serão mesmo mentirosos?? Exigimos respeito!
A avaliação do desempenho é sempre condicionado ao existente na Escola senão vejamos:
Em 1º lugar o número de excelentes depende do número de professores na escola, logo – estamos perante um modelo de avaliação do desempenho de avaliação dos professores injusto.
Em relação ao Projecto Educativo do meu Agrupamento para 3 anos que não está concluído, não veio aos grupos disciplinares e que eu me lembre também não foi ao meu Departamento para ser analisado e discutido...

Não será sensato os professores por unanimidade nas escolas, proporem a suspensão da avaliação do desempenho dos professores?
Desculpem o meu português, a escrita não é de todo o tipo de expressão onde me sinto mais à vontade.
Espero que estas minhas palavras sejam motivo para a reflecção de muitos...
Muito obrigada a todos!

4.10.08

[INOVAÇÃO EMPRESARIAL DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA PROFESSORES]


Sou das ARTES e MILITANTE NA EDUCAÇÃO DOS JOVENS PARA A ARTE.

Admito que faço parte de uma equipa de professores, de quadro de escola e, desencantada do ensino...
Os colegas estão ou não satisfeitos com o sistema. Mas, sejamos francos! Para poderem dedicar-se ao ensino dos vossos alunos... informo que se eu desistir abrirei uma empresa séria, de criativos de apoio ao professor e com o seguinte letreiro na porta e/ou site:

INOVAÇÃO EMPRESARIAL DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL PARA PROFESSORES
- criam-se linhas gráficas com conteúdo personalizado de portfólios em suporte digital e ou papel para professores (em português, inglês ou espanhol);
- realizam-se trabalhos vídeo e/ou fotográfico com tratamento de imagen a constar no portfólio ou outros documentos, grelhas e afins;
- dossiers personalizados com style, do tipo agenda do professor, de acordo com o 'livro de estilo' na sua escola, se fôr preciso também em Times New Roman;
- cria-se imagem visual com logo da escola e cedem-se direitos de autor ao professor;
- criam-se páginas web do professor e para escolas com alto design contemporâneo;
- criam-se projectos para clubes, actividades extracurriculares de grande visibilidade e de acordo com o Projecto Educativo de cada agrupamento ou escola;
- fazem-se traduções, impressões a preto e branco e a cores, encadernações a quente ou de argolas;
- criamos a imagem visual do professor, incluindo vestuário, cabeleireiro, calçado e acessórios;
- damos formação em postura e colocação de voz do professor;
- para o seu relax e bem estar mental, criámos ateliers de Desenho, Pintura, Escultura, Fotografia/ Serigafia e Jardinagem, Secção de Sopas, Sumos Naturais, Licores e Compotas. Inscreva-se!

Caro colega e professor! Se esta empresa não responder às suas necessidades, por favor deixe aqui as suas sugestões, preferencialmente sem ser em grelha!! Identifique-se! Tenha coragem!

22.9.08

[UMA VIDA A LUTAR POR NADA]


Marcel Duchamp, Nu descendo uma escada.


Um relato verídico de uma vida a lutar por nada...

"Aos meus alunos, aos Pais dos meus alunos, aos professores e a todos os meus concidadãos.

Tenho cinquenta e tal anos de idade, trinta e muitos dos quais como docente no ensino secundário e no ensino superior. Fiz a Licenciatura com 16 valores, o Estágio Pedagógico com 18 e um mestrado em Ciências da Educação com Muito Bom. Dediquei a minha vida à Escola Pública. Fui Presidente do ConselhoExecutivo (dois mandatos), orientador de estágio pedagógico (3 anos), delegado de grupo / coordenador de departamento (dois mandatos), Presidente do Conselho Pedagógico (um mandato) e director de turmadurante vários anos. Nos últimos tempos leccionei no ensino superior, com ligação permanente à formação de professores. Desempenhei vários cargos pedagógicos, participei em múltiplos projectos e desenvolvi doistrabalhos de elevado valor científico. Entretanto, regressei ao ensino secundário e à minha escola de origem. Alguns dos antigos colegas, embora mais novos do que eu e com menos tempo de serviço (compraram o tempo, explicaram-me depois) já setinham reformado. Eu também já tinha idade, mas faltavam-me algunsmeses para o tempo necessário quando mudaram as regras do jogo. E comose não bastasse a alteração dessas regras, é aprovado, entretanto, umnovo estatuto para a carreira docente. E logo de seguida é aberto oconcurso para professores titulares. Um concurso para uma novacategoria onde eu não tinha lugar!Não reunia condições. Mesmo com um Mestrado em Ciências da Educação esem ter dado uma única falta nos últimos sete anos, o meu curriculumvalia, apenas, 93 pontos! Faltavam 2 pontos para o mínimo exigido aquem estivesse no 10º escalão. Com as novas regras, o meu departamento passou a ser coordenado, apartir do presente ano lectivo, por um professor titular. Um professorque está posicionado no 8º escalão. Tem menos 15 anos de serviço doque eu. Foi meu aluno no ensino secundário e, mais tarde, meuestagiário. Fez um bacharelato com média de 10 valores e no estágiopedagógico obteve a classificação de 11 valores. Recentemente concluiua licenciatura numa estabelecimento de ensino privado, desconhecendo aclassificação obtida. É um professor que nunca exerceu qualquer cargopedagógico, à excepção de director de turma. Nos últimos sete anos deu84 faltas, algumas das quais para fazer 15 dias de férias na RepúblicaDominicana (o atestado médico que utilizou está arquivado nasecretaria da escola, enquanto os bilhetes do avião e a factura do hotel constam de um outro processo localizável). O seu curriculum vale 84 pontos, menos 9 pontos do que o meu. Contudo, este docente foi nomeado professor titular. De acordo com o Senhor Primeiro Ministro e demais membros do seu Governo, com o apoio do Senhor Presidente da República e, agora, com o apoio dos dirigentes sindicais, este professor está em melhorescondições do que eu para integrar ' (...) um corpo de docentes altamente qualificado, com mais experiência, mais formação e mais autoridade, que assegure em permanência as funções de organização dasescolas para a promoção do sucesso educativo, a prevenção do abandono escolar e a melhoria da qualidade das aprendizagens. 'A conclusão, embora absurda, é clara: se eu estivesse apenas no 9ºescalão, e com os mesmos pontos, seria considerado um docente altamente qualificado, com mais experiência, mais formação e mais autoridade. Como estou no 10º escalão, e não atingindo os 95 pontos,eu já não sou nada.Isto é o resultado de uma selecção feita com base na '(...) aplicaçãode uma grelha de critérios objectivos, observáveis e quantificáveis, com ponderações que permitam distinguir as experiências profissionaismais relevantes (...) [onde se procurou] reduzir ao mínimo as margensde subjectividade e de discricionariedade na apreciação do currículodos candidatos, reafirmando-se o objectivo de valorizar e darprioridade na classificação aos professores que têm dado provas demaior disponibilidade para assumir funções de responsabilidade.'Éassim que 'reza' o DL 200/2007, de 22 de Maio. Admirável! Agora consta por aí (e por aqui) que aquele professor (coordenador do meu departamento) me irá avaliar... Não, isso não será verdade. Esse professor irá, provavelmente, fazerde conta que avalia, porque só pode avaliar quem sabe, quem for maiscompetente do que aquele que se pretende avaliar. O título de 'titular' não é, só por si, suficiente. Mesmo que istoseja só para fazer de conta... Conhecidos que são os meus interesses, passo ao principal objectivo desta carta, que é, simplesmente, pedir perdão! Pedir perdão, em primeiro lugar, aos meus alunos. Pedir perdão a todosos Pais dos meus alunos. Pedir perdão porque estou de professor, massem me sentir professor. Tal como milhares de colegas, humilhados e desencorajados, sinto-me transformado num funcionário inútil, à esperada aposentação. Ninguém consegue ser bom professor sem um mínimo de dignidade. Ninguém consegue ser bom professor sem um mínimo de paixão.As minhas aulas eram, outrora, coloridas, vivas e muito participadas. Com acetatos, diaporamas, vídeos, powerpoint, etc. Hoje é, apenas, o giz e o quadro. Só a preto e branco, com alguns cinzentos à mistura. Sinto-me desmotivado, incapaz de me empenhar e de estimular. Recei o vir a odiar a sala de aulas e a própria escola. Receio começar afaltar para imitar o professor titular e coordenador do meudepartamento (só não irei passar férias para a República Dominicanaporque tenho outras prioridades...). Receio que os professores deste País comecem a fingir que ensinam e a fingir que avaliam. Sim, porqueneste país já tudo me parece a fingir. Cumprimentos."

(o autor deste texto é um professor anónimo e humilhado, tal como milhares de outros professores).


Obrigada L. Torgal por teres mandado e-mail.






15.6.08

[MODELO DE AVALIAÇÃO DOS PROFESSORES NOUTRAS PROFISSÕES]



Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não o apliquem a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc.). Se é suposto compreenderem o que está em causa e as virtualidades deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão, os médicos.
A carreira seria dividida em duas: médico titular (a que apenas um terço dos profissionais poderia aspirar) e médico. A avaliação seria feita pelos pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados. Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes.

O médico teria de estabelecer, anualmente os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc. A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável, ou terminal. Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética...

Poder-se-ia estabelecer a analogia completa, mas penso que os nossos 'especialistas' na área da educação não terão dificuldade em levar o exercício até ao fim.
A questão é saber se consideram aceitável o modelo? Caso a resposta seja afirmativa, então porque não aplicar o mesmo, tão virtuoso, a todas as profissões? Será?

(anónimo)

10.6.08

[DIA DE PORTUGAL]


De fato, este meu ato refere-se à não aceitação deste pato com vista a assassinar a Língua Portuguesa.
Por isso... por não aceitar este pato... também não vou aceitar ir a esse almoço para comer um arroz de pato...
A esta ora está úmido lá fora...
por isso, de fato lá terei hoje de vestir um fato...

Concorda com o modo de escrever acima exemplificado?
Se não concorda, clique na imagem ou no link que se seguem e assine!!

http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa/




10.5.08

[MAS NÃO ME FAÇAM FALAR DOS NOMES DOS PSEUDOCRÍTICOS DE ARTE E OUTROS DEMENTES QUE TORTURAM E MATAM ANIMAIS JULGANDO-SE ARTISTAS!]

O delírio é uma perturbação potencialmente reversível que costuma aparecer de maneira súbita. Diminui a capacidade para prestar atenção, a pessoa está confusa, desorientada e é incapaz de pensar com clareza. A demência é uma decadência progressiva da capacidade mental em que a memória, a reflexão, o juízo, a concentração e a capacidade de aprendizagem estão diminuídos e pode produzir-se uma deterioração da personalidade.
A demência pode aparecer subitamente em pessoas jovens em quem uma lesão grave, uma doença ou certas substâncias tóxicas (como o monóxido de carbono) destruiu células cerebrais. No entanto, a demência habitualmente desenvolve-se de forma lenta e afecta as pessoas com mais de 60 anos. Apesar de tudo, a demência não faz parte do processo normal de envelhecimento. À medida que a pessoa envelhece, as alterações no cérebro causam uma certa perda de memória, especialmente a de factos recentes, e uma deterioração na capacidade de aprendizagem. Estas alterações não afectam as funções normais. A falta de memória nas pessoas mais velhas denomina-se perda de memória senil benigna e não é necessariamente um sinal de demência ou um sintoma precoce da doença de Alzheimer. A demência é uma deterioração muito mais grave da capacidade mental e piora com o tempo. Enquanto as pessoas que envelhecem normalmente podem chegar a esquecer pormenores, as pessoas que sofrem de demência podem chegar a esquecer por completo os acontecimentos recentes.

Em minha opinião, quando as pessoas estão doentes mas não têm a consciência dessa doença devem ser os amigos, familiares ou quem os veja naquele estado a deligenciar na procura de ajuda médica, hospitalizar o doente se necessário.

ARTE É CRIAÇÃO E OS ARTISTAS OS ENVIADOS DE DEUS!

MAS NÃO ME FAÇAM FALAR DOS NOMES DOS PSEUDOCRÍTICOS DE ARTE E OUTROS DEMENTES QUE TORTURAM E MATAM ANIMAIS JULGANDO-SE ARTISTAS!


10.1.08

[FECHAM AS ESCOLAS E OS HOSPITAIS! ABRAM AEROPORTOS!]

27.9.07

[O FIM DA AMIZADE... FANTÁSTICO]

[De vez em quando vou recebendo mails de amigos a convidarem-me para fazer parte de redes sociais na Internet. Aceito quase sempre, mas depois não pratico. Redes como o Hi5, o Myspace, o Buzznet, o Hoverspot, o Facebook. São tantos os sites vocacionados para a criação de comunidades virtuais que é fácil perdermo-nos. E todos imensamente populares: em Agosto, segundo um estudo Marktest, o Hi5 contabilizou quase 3,4 mil milhões de páginas em Portugal, superando qualquer outro site, incluindo o Google. Os peritos afiançam que estes sites dão bons negócios. Ontem soube-se que a Microsoft quer comprar 5% do Facebook.

Percebo o sucesso destas redes. Milhões de adolescentes e pós-adolescentes sabem que não há assim muita coisa a que pertencer. As formas de pertença tradicionais (à família, à escola, à igreja) exigiam uma disciplina e uma ortodoxia que a espontaneidade subversiva da época corrompe. Rapazes e raparigas em idade núbil já se satisfazem com pouco e rejeitam fidelidades. Nada de grupos para ficarem sujeitos a testes e deveres. Em vez disso, as redes sociais oferecem um produto mais apetecível: fazer parte de um mundo informal cujo único mandamento é conhecer gente. How people meet people?, perguntava, acho eu, Lou Reed. No Hi5.

Antes, as pessoas tinham os amigos de infância, da universidade, do trabalho. Eram categorias que espelhavam as nossas amizades em diferentes fases da vida. Agora, as novas gerações têm os "amigos" do Hi5. Sem esforço, um bem sucedido utilizador do Hi5 pode acumular 650 pessoas a que passa a chamar seus amigos.

Na sua Ética a Nicomáco, Aristóteles distinguiu três tipos de amizade, conforme a ideia em que cada uma se fundasse. Existiria uma amizade baseada no prazer, outra na utilidade e outra na virtude, para Aristóteles a amizade mais genuína e duradoura, aquela em que os amigos se uniriam para atingir o bem e a sabedoria. A visão elevada que Aristóteles tinha da amizade não desapareceu. Mesmo se nos fomos tornando cínicos, temos esperança de que a amizade possa ser uma espécie de amor moral. Não um amor por dever ou respeito, como o que se tem pelos pais ou pelos filhos, mas um amor que se forma na simples admiração por outra pessoa. Um amor realista e altruísta. Um amor que não depende de nenhuma idealização, de nenhum desejo. Um amor que nasce de uma espécie de consciência. É a nossa maior e mais promissora ambição para a amizade. As redes sociais como o Hi5 prescindem da amizade como uma experiência de dedicação admirativa em favor da obsessão doentia por conhecer e acumular pessoas. É óbvio que alguém que junta 500 "amigos" não acredita na amizade. Encheu a agenda, mostrou a sua agilidade e ficou na mesma. E a amizade só pode ser para levar a sério, senão não vale a pena.]

in http://dn.sapo.pt/2007/09/27/opiniao/o_da_amizade.html de Pedro Lomba

17.7.07

[O FIM...]

Há anos que procurava isto http://www.prof2000.pt/users/j.pinto/fim.htm
UFF!!...

3.6.07

[SERRALVES EM FESTA... E A FESTA NO METRO]

Serralves em Festa ... e a Festa no Metro.
É já este fim-de-semana. 40 horas consecutivas de expressão artística contemporânea no «Serralves em Festa». Entre as 08h de Sábado (2 de Junho) e as 24h de Domingo (3 de Junho) o Parque, o Museu, o Auditório e a Casa de Serralves recebem mais de 70 actividades - exposições, música, dança, performance, cinema, teatro, marionetas, circo, oficinas em família, visitas orientadas e workshops. Na noite de Sábado para Domingo, os DJ’s dão música no prado de Serralves até de madrugada.
O Metro do Porto e a STCP acordaram uma operação especial «Serralves em Festa», garantindo o melhor e mais prático acesso ao Festival. Assim, a Estação Casa da Música do Metro do Porto faz interface com uma linha da STCP que faz o vaivém com Serralves. Ao longo do fim-de-semana, a Estação Casa da Música assegura frequências de 5 minutos (das 6H00 às 1H00). Já na madrugada de sábado, 3 de Julho, o serviço da Linha Azul (A) prolonga-se até às 2H00, no sentido Senhor de Matosinhos/Estádio do Dragão, com frequências de passagem de 15 minutos.
Em antecipação às 40 horas do Festival propriamente dito, o Serralves em Festa mobiliza-se para a animação da «baixa» do Porto – no dia 1 de Julho, entre as 17H00 e as 22H00 e no dia 2, entre as 10H00 e as 14H00. Nestes dois períodos, a Estação da Trindade será palco para a actuação dos músicos Germán Diaz e Diego Martín.
Enviado pelo amigo JB. Bibó Poarto carago!

31.5.07

[PERIGOSAS DE TANTO LEREM...]

Perigosas, elas, as mulheres, porque lêem? Perigosas porquê? Porquê elas e não eles? O livro Mulheres Que Lêem São Perigosas (Quetzal/Círculo de Leitores) lança o debate. Autor: Stefan Bollmann, doutorado com uma tese sobre Thomas Mann. Prefácio: Elke Heidenreich, escritora e autora do programa televisivo Lesen!. Lançamento: amanhã, às 18.30, na Livraria Bertrand Picoas Plaza (Rua Tomás Ribeiro, 65) na mão de quatro mulheres apresentadas pela editora como "perigosas": Helena Vasconcelos, Maria João Seixas, Maria Teresa Horta e Paula Moura Pinheiro.O álbum reúne imagens de mulheres que lêem, vestidas ou nuas, meninas, jovens ou sem idade, sentadas, deitadas ou recostadas, absorvidas, apaixonadas ou seduzidas pelo poder mágico dos livros que acumulam, como escreveu Marguerite Yourcenar, "reservas contra os invernos do espírito", ou do talvez corpo, quando a vida se torna semelhante ao deserto e as palavras trazem consigo a presunção sublime da suspensão, ainda que por instantes, do peso entediante dos dias."Ler não é, afinal, diferente de existir", tal como diz Rui Magalhães em Infinito Singular/O não literário: "Podemos ler um texto, podemos ler um corpo: podemos viver um texto ou um corpo. Ler um corpo: recuperar, na visão incerta, a plenitude da fragmentação e da pluralidade."É essa dimensão da inseparabilidade entre vida e arte (ideia passível de aplicar-se também à escrita) que encontramos num esboço, de nenhuma forma exaustivo e nem sempre preciso, em Mulheres Que Lêem São Perigosas. Que ressalta, afinal, deste livro em que nos aproximamos da profunda intimidade da leitura, sem qualquer sentido de ameaça, como quem descobre o mistério de mundos outros? A revelação de que a beleza dir-se-ia representativa do triunfo da arte enquanto acto de paixão. Façamos então uma viagem por dentro do livro, uma viagem provocatória pela mão da feminista Elke Heidenreich, autora que tem o atrevimento de dizer: "Com o passar dos anos, os livros tornam- -se por vezes mais importantes do que os homens." Ou saltemos paras as páginas do ensaio, mais reflexivas portanto, e das legendas de Stefan Bollman, que considera a leitura intensiva "um desafio à liberdade criativa".Pinturas, desenhos, fotografias, imagens recolhidas ao longo do tempo, do séc. XIII ao séc. XXI, reflectem a relação entre as mulheres e os livros. Observe-se a Anunciação, de Simone Martini (1333) em que Maria - dominando a arte comum entre as mulheres cultas na Idade Média, a da leitura em silêncio - exprime desagrado, aconchegando o manto ao peito, quando o anjo, inoportuno, interrompe a sua leitura. Ou veja-se, mais tarde, no séc. XVII, apaziguada, a criada de costas viradas para o leitor, no quadro de Pieter Janssens Elinga. Libertando--se das incómodas socas, suas ou da dona da casa, e do peso ordenado das tarefas domésticas, entrega-se ao prazer do livro que a luz indirecta torna iluminante, enquanto se esquece, alheada, da fruteira, posta de parte em cima da cadeira.Mais adiante, Katie, cabelo lon- go e encrespado, devora, absorta e com paixão, a lenda sangrenta de S. Jorge, que luta com o dragão e o mata, tema impróprio no século XIX para raparigas. Sir Edward Burne Jones começou a pintar este quadro tinha a menina do desacer- to quatro anos e, quando o termi-nou, já havia completado os oito.Não falta, por outro lado, nestas páginas, a mulher, retratada por Ramón Casas Carbó, que cai exausta, no sofá, vinda do baile, de livro na mão, como se fosse possível fazer prolongar, naquele breve momento, o prazer de um corpo ainda em movimento de outros saberes/sabores da vida. A fotografia de Eve Arnold, exibindo Marilyn, ao tempo da rodagem de Os Inadaptados, lendo o Ulisses, revela a mulher na sua total fragilidade. Quando se encontraram, ela e a fotógrafa, a actriz já estaria a ler a obra de James Joyce. E assim foi captada pela máquina num flash luminoso que nega o estereótipo. Há, no entanto, que entender este belo volume à luz da breve história da leitura que nos é oferecida por Stefan Bollman. Lance-se, pois, um olhar rápido sobre a história da cultura e verifique-se o silêncio a que a mulher foi votada ao longo dos tempos, vedando-se-lhe o direito à instrução e ao trabalho, sem esquecer o texto áspero e divertido de Elke Heidenreich: "Quem lê fica a reflectir, quem reflecte forma uma opinião, quem tem uma opinião pode dissidir, quem se torna dissidente passa a ser inimigo." Só assim pode integrar, nesta obra, a designação "leitura perigosa", sobretudo a partir da evolução histórica, social, cultural.Bollman explica, por outro lado, que as mulheres que aprendiam a ler (referindo-se aos finais do século XVII) eram, na época, consideradas perigosas: "É que a mulher que lê adquire um espaço a que só ela e mais ninguém tem acesso", o que a leva a desenvolver um estado independente de auto-estima. Além disso, "cria a sua própria visão do mundo, não necessariamente correspondente à transmitida pela tradição, nem à dos homens". Claro que nada disto significa ainda a sua libertação da tutela patriarcal, "mas abre a porta que conduz à liberdade", comenta.Já no século XVIII, Mary Wollstonecraft, mãe de Mary Shelley (autora de Frankenstein) escrevia: "Não só a virtude, mas também o conhecimento devem ser iguais em natureza, e mesmo em grau." Nesse sentido, pode dizer-se que a mulher, usando a expressão de Ana Hatherly, foi tomando a palavra ao longo dos tempos. Usando os livros como aliados.Com eles, as mulheres deste livro amam, vivem vidas outras, a ficção e o sonho, o perigo e a paixão. Eles são o vício e a virtude, a sageza e o refúgio, caixa de ressonância da interioridade das suas fiéis leitoras.

26.5.07

[CÁ SE FAZEM...]


Em Portugal tão depressa tem estado sol como faz chuva. A temperatura política muda rapidamente neste rectângulo habitado por funcionários públicos zelosos no seu dever de bufar. Deve ser a melhor forma de combater o frio que faz em carreiras congeladas há tanto tempo. A temperatura também sobe com os indicadores de crescimento económico e desce abruptamente com a taxa de desemprego. Talvez por isso haja muita gente a ficar constipada. No caso de Mário Lino, parece tratar-se de uma gripe mal curada.
A gafe de Sócrates, que deu as boas-vindas aos imigrantes que chegam a "um país cada vez mais pobre", foi rapidamente ultrapassada pela falha de Manuel Pinho, que prometeu empregos em postos de trabalho já ocupados. E esta passou à história quando Mário Lino descobriu um deserto na margem sul do Tejo. Melhor, só mesmo Almeida Santos a antever uma acção terrorista em que uma ponte é dinamitada para impedir os turistas de chegar a Lisboa.Uma semana de Governo Santana Lopes com metade dos espirros verbais desta semana socialista valia uma dúzia de pregos na cruz do "menino guerreiro".
Senhor primeiro-ministro, ponha ordem na casa. Os ministros que governem e falem só quando tiverem autorização do chefe. Ainda assim, cada um deles deve ter uma cábula na pasta, para saber o que pode dizer.O país não pode gastar energias a discutir a importância dos espirros verbais dos seus ministros. Não nos distraiam. Deixem-nos trabalhar. É disso que Portugal precisa.
Paulo Baldaia

13.5.07

[13 DE MAIO…]


… Fátima uma mensagem de esperança.